Internacional

Trump pede “procurador especial” para verificar documentos confiscados pelo FBI em Mar-a-Lago

23 agosto 2022 8:52

A polícia à porta da mansão de Donald Trump na Flórida, durante as buscas do FBI

giorgio viera/getty images

O antigo Presidente dos EUA pede a nomeação de um “procurador especial” sem relação com o caso, que seria encarregado de verificar os registos confiscados na sua mansão em Mar-a-Lago e descartar aqueles que estão protegidos pelo privilégio executivo

23 agosto 2022 8:52

O ex-Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu esta terça-feira a um tribunal da Flórida para que seja nomeado um “procurador especial” neutro para inspecionar os documentos confiscados pelo FBI na sua mansão em Mar-a-Lago.

O pedido foi incluído num processo judicial, o primeiro da equipa jurídica de Trump em duas semanas após as buscas, que visa amplamente a investigação do FBI sobre a descoberta de documentos confidenciais em Mar-a-Lago.

O documento classifica as buscas de 8 de agosto, na qual o FBI adiantou ter recuperado 11 conjuntos de documentos secretos, como um “movimento chocantemente agressivo”, atacando o mandado como excessivamente amplo.

Os advogados do antigo chefe de Estado dizem ainda que houve cooperação durante meses, enquanto agentes federais examinavam a presença de registos presidenciais e documentos classificado em Mar-a-Lago.

“A aplicação da lei é um escudo que protege os Estados unidos. Não pode ser usada como arma para fins políticos”, escreveram.

“Portanto, procuramos assistência judicial após uma operação sem precedentes e desnecessária”, acrescentaram.

O processo solicita especificamente a nomeação de um “procurador especial” sem relação com o caso, que seria encarregado de verificar os registos confiscados de Mar-a-Lago e descartar aqueles que estão protegidos pelo privilégio executivo – um princípio que permite aos presidentes bloquear documentos de divulgação pública.

“Este assunto chamou a atenção do público americano. Salvaguardas meramente ‘adequadas’ não são aceitáveis quanto o assunto em questão envolve não apenas os direitos constitucionais do presidente Trump, mas também a presunção de privilégio executivo”, observou a defesa do antigo chefe de Estado.

De forma separada, um juiz federal reconheceu na segunda-feira que as propostas de redação de uma declaração do FBI podem ser tão extensas que tornariam o documento “sem sentido” se fosse divulgado.

No entanto, o magistrado disse que continua a acreditar que não deve permanecer selado por causa do “intenso” interesse público na investigação.

Uma ordem do magistrado federal Bruce Reinhart reafirma o que havia dito no tribunal na semana passada, quando instruiu o Departamento de Justiça com propostas de redação sobre as informações na declaração que deseja manter em segredo. Essa apresentação deve ser entregue na quinta-feira até às 12h00.

Na passada quinta-feira, Bruce Reinhart mostrou-se disposto a revelar parte da justificação das buscas à propriedade do ex-presidente norte-americano Donald Trump para apreender documentos secretos.

O magistrado federal deu aos procuradores uma semana para enviarem uma cópia da declaração com propostas de redação, especificando as informações que deseja manter em segredo após o FBI (polícia federal norte-americana) ter apreendido informações classificadas e ultrassecretas durante uma busca à propriedade de Trump em Mar-a-Lago, na semana passada.

A audiência foi convocada após vários órgãos de comunicação terem pedido que fossem tornados públicos registos adicionais vinculados às buscas. É provável que esses documentos contenham detalhes importantes sobre a investigação do Departamento de Justiça, que investiga se Trump reteve e manipulou incorretamente registos governamentais confidenciais.