Internacional

Após um ano no poder, violação de direitos humanos é a marca dos talibãs no Afeganistão

11 agosto 2022 6:47

anadolu agency/getty images

A situação das mulheres tornou-se a mais dramática no país, acusa a organização não-governamental (ONG) Human Rights Watch

11 agosto 2022 6:47

A organização não-governamental (ONG) Human Rights Watch (HRW) acusou esta quinta-feira os talibãs, há um ano no poder no Afeganistão, de terem quebrado múltiplas promessas de respeito pelos direitos humanos, sobretudo o das mulheres.

"Depois de recuperarem Cabul a 15 de agosto de 2021, as autoridades talibã impuseram severas restrições aos direitos das mulheres e das raparigas, reprimiram os meios de comunicação social, e detiveram, torturaram e executaram sumariamente críticos e adversários, entre outros abusos", afirmou a HRW em comunicado.

"A economia entrou em colapso, em grande parte porque os governos [da comunidade internacional] cortaram a assistência estrangeira e restringiram as transações económicas internacionais. Mais de 90% dos afegãos vivem em insegurança alimentar há quase um ano, fazendo com que milhões de crianças sofram de subnutrição aguda e ameaçando graves problemas de saúde a longo prazo", pode ler-se na mesma nota.

Ou seja, "o povo afegão vive um pesadelo de direitos humanos, vítima tanto da crueldade talibã como da apatia internacional", disse a investigadora afegã da HRW, Fereshta Abbasi, sustentando que o futuro do país "permanecerá sombrio, a menos que governos estrangeiros se envolvam mais ativamente".

A ONG internacional destacou que, "desde que tomou o poder, "os talibãs impuseram regras que impedem de forma abrangente as mulheres e raparigas de exercerem os seus direitos mais fundamentais à expressão, movimento e educação, e afetam os seus outros direitos básicos à vida, à subsistência, aos cuidados de saúde, à alimentação e à água".

"Os horrendos antecedentes dos talibãs em matéria de direitos humanos e a sua relutância em se envolverem de forma significativa com as instituições financeiras internacionais têm contribuído para o seu isolamento", disse a Human Rights Watch, defendendo que "os governos estrangeiros deveriam aliviar as restrições ao setor bancário do país para facilitar a atividade económica legítima e a ajuda humanitária, mas os talibãs também precisam de reduzir os abusos de direitos e pedir contas aos responsáveis por abusos".

A HRW observou que muitos governos têm denunciado ou criticado a decisão dos talibãs de restringir a educação das jovens, posições que incluem todo o Conselho de Segurança das Nações Unidas e quase todos os membros do G7 e do G20.

Outra ONG, a Save the Children, alertou que, um ano após o regime Talibã ter assumido o controlo do Afeganistão, uma grande parte das jovens afegãs mostram sinais de depressão ou frustração por não poderem ir à escola.

Num relatório denominado de "Ponto de Rutura", a organização afirmou que 97% das famílias lutam para fornecer comida suficiente aos filhos, e que as raparigas comem menos do que os rapazes.

"Quase 80% das crianças dizem ter ido para a cama com fome nos últimos 30 dias, mas as raparigas são as mais afetadas, pois têm quase o dobro da probabilidade de irem para a cama sem terem comido o suficiente", indicou a Save the Children em comunicado.