Internacional

UE pede contenção a Israel e à Jihad Islâmica palestiniana para não aumentar conflito

6 agosto 2022 15:12

Faixa de Gaza

ibraheem abu mustafa/reuters

O bloco comunitário pediu “contenção máxima” de todas as partes envolvidas para “evitar maior escalada e mais vítimas”, numa altura em que já foram registados 12 mortos e mais de 90 feridos. A Rússia afirmou também estar “profundamente preocupada” com a violência desencadeada na Faixa de Gaza

6 agosto 2022 15:12

A União Europeia (UE) pediu hoje “contenção” às partes em combate em Gaza e apelou a Israel para que a sua resposta aos ataques lançados pela Jihad Islâmica da Palestina (PIJ) não provoquem uma escalada do conflito.

“Apesar de Israel ter o direito de proteger a sua população civil, deve fazer tudo para evitar um conflito maior que, em primeiro lugar, afetaria as populações civis de ambos os lados e causaria mais vítimas e mais sofrimento”, defendeu o Serviço de Ação Externa da UE, em comunicado.

O bloco comunitário pediu “contenção máxima” de todas as partes envolvidas para “evitar maior escalada e mais vítimas”, numa altura em que já foram registados 12 mortos e mais de 90 feridos, devido ao lançamento de ‘rockets’ pela Jihad Islâmica e à resposta do exército israelita.

O atual pico de tensão começou após a detenção, na segunda-feira, do alto dirigente da organização Jihad Islâmica na Cisjordânia, Bassem Saadi.

Face a rumores sobre a possibilidade de ações armadas de retaliação a partir do enclave palestiniano, Israel lançou um ataque preventivo contra alvos da Jihad em Gaza.

O movimento palestiniano Hamas mantém-se, por enquanto, à margem do conflito, o que conseguiu conter a sua intensidade, mas já condenou Israel, considerando que está “novamente a cometer crimes”.

O enviado da ONU para o Médio Oriente, Tor Wennesland, também pediu para que seja evitada uma nova escalada de violência na Faixa de Gaza e para que terminem “imediatamente” os confrontos entre as partes.

Tor Wennesland alertou que os acontecimentos recentes, como “os progressos alcançados na abertura gradual” da Faixa de Gaza desde maio, correm o risco de “esmorecer” e podem implicar “necessidades humanitárias ainda maiores” num contexto de crise económica, referindo que a ajuda internacional “não estará prontamente disponível”.

Um dos 12 mortos registados é Taiseer al-Jabari, líder do braço armado da Jihad Islâmica no centro e norte de Gaza, que chefiou a unidade responsável pelo lançamento de vários mísseis contra Israel durante a escalada do conflito em maio de 2021, segundo o exército israelita.

De acordo com o Ministério da Saúde palestiniano, entre as vítimas está também um menino de cinco anos que, tal como Al-Jabari, morreu num ataque aéreo a um edifício residencial na cidade de Gaza.

Por sua vez, a Jihad Islâmica indicou ter disparado “mais de 100” ‘rockets’ contra Israel, como “primeira resposta” aos ataques israelitas contra o enclave palestiniano.

Israel e grupos armados em Gaza têm travado vários conflitos, o último dos quais aconteceu em maio de 2021 e durou 11 dias, causando a morte de 260 palestinianos e 13 israelitas.

Rússia diz-se preocupada com conflito entre Israel e Jihad Islâmica

A Rússia afirmou hoje estar “profundamente preocupada” com a violência desencadeada na Faixa de Gaza, que já provocou pelo menos 12 mortos, e pediu “máxima contenção” a Israel e à Jihad Islâmica da Palestina.

“Observamos com profunda preocupação o desenvolvimento dos eventos, que podem levar à retoma do confronto militar em grande escala e agravar ainda mais a já deplorável situação humanitária em Gaza”, disse a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova.

A porta-voz pediu ainda “a todas as partes envolvidas para exercerem a máxima contenção” a fim de evitar uma escalada do conflito.

De acordo com Zakharova, “a nova tensão foi causada por uma operação da força aérea israelita na Faixa de Gaza, [lançada] em 5 de agosto, à qual os grupos palestinianos responderam com bombardeamentos em massa e indiscriminados ao território israelita”.