Internacional

João Leão foi o mais votado, mas não chegou para ganhar a corrida ao Mecanismo Europeu de Estabilidade

11 julho 2022 19:39

Susana Frexes

Susana Frexes

correspondente em Bruxelas

tiago miranda

Alemanha votou contra João Leão e Espanha e Itália travaram o ex-ministro das Finanças do Luxemburgo. Os ministros das Finanças voltam a tentar chegar a acordo em setembro

11 julho 2022 19:39

Susana Frexes

Susana Frexes

correspondente em Bruxelas

Se a eleição fosse por maioria simples, João Leão teria vencido já esta segunda-feira. Teve 55,3% dos votos. No entanto, para dirigir o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) é preciso chegar aos 80%, sendo que Alemanha e França têm poder para inviabilizar qualquer eleição e foi isso que aconteceu.

A Alemanha votou contra Portugal, apoiando o candidato luxemburguês. Pierre Gramegna reuniu 47,7% dos votos - a votação não é simultânea - sendo travado por dois grandes: Itália e Espanha.

“São ambos excelentes candidatos, os dois têm muitos apoios, mas nenhum conseguiu atingir a fasquia dos 80% necessários e por isso voltaremos ao assunto em setembro”, concluiu no final o presidente do Eurogrupo. Para Paschal Donohoe, o vencedor será um dos dois ex-ministros das Finanças, excluindo que surja entretanto um novo nome conciliador. Ou seja, as negociações entre países vão continuar durante o verão.

Foi a terceira tentativa falhada. O ministros das Finanças da Zona Euro ainda não conseguiram entender-se sobre o próximo diretor-executivo do MEE, que ira também presidir o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), responsável por cerca de um terço do resgate a Portugal. Entre 2011 e 2014 emprestou 26 mil milhões de euros ao país.

O MEE é uma instituição financeira e embora não conceda novos empréstimos desde 2018 - quando terminou o resgate grego - tem necessidades de financiamento, que terão de ser geridas pelo próximo diretor-executivo. Por isso, terá de mostrar uma boa capacidade de comunicação mercados e investidores.

No entanto, a imagem do Mecanismo continua ainda muito ligada aos resgates da última crise financeira, o que explica que muitos países prefiram não ter de recorrer à ajuda do MEE. No início da pandemia, em 2020, o Eurogrupo, então liderado por Mário Centeno, acordou a criação de linhas de crédito num montante total de 240 mil milhões de euros, às quais os países poderiam recorrer, beneficiando de taxas de juro mais baixas. Até hoje, nenhum país quis os empréstimos.