Internacional

Massacre no Texas não convence senadores republicanos a mudar a lei: apenas cinco em 50 admitem reforço do controlo de armas

27 maio 2022 16:02

Margarida Mota

Jornalista

tayfun coskun / anadolu agency / getty images

O jornal norte-americano “The New York Times” inquiriu os 50 senadores republicanos sobre a sua predisposição para acolher legislação proposta pelos democratas conducente a um reforço da segurança em torno do negócio das armas, nos Estados Unidos. Apenas cinco se mostraram “abertos ou indecisos”, enquanto 31 se recusaram a responder ou desviaram o assunto

27 maio 2022 16:02

Margarida Mota

Jornalista

A chacina de 19 crianças na escola primária de Uvalde, no estado norte-americano do Texas, não está a convencer a maioria dos senadores republicanos a ceder no seu entusiasmo relativamente ao porte de armas de fogo e na aceitação de novas medidas de segurança.

Horas após o mais recente massacre em solo norte-americano, o jornal “The New York times” contactou os 50 republicanos no Senado e confrontou-os com duas iniciativas legislativas da bancada democrata conducentes a um reforço da segurança em torno da compra de armas no país:

  • a expansão das verificações de antecedentes criminais relativamente a compradores de armas na internet e em feiras de armamento;
  • a possibilidade de o FBI dispor de mais tempo para investigar os compradores de armas sinalizados pelo sistema de verificação instantânea de antecedentes.

Apenas cinco senadores se mostraram “abertos ou indecisos” relativamente à possibilidade de acolherem as propostas democratas. Um deles é Mitt Romney, o senador pelo Utah que foi o candidato do Partido Republicano às presidenciais de 2012. “Acredito que vamos procurar formas de melhorar a verificação de antecedentes”, admitiu.

“Acho que isso é algo que certamente vamos discutir, provavelmente muito abertamente”, corroborou Kevin Cramer, senador pelo Dakota do Norte.

O incómodo de Ted Cruz

Em contraponto, 14 outros senadores confirmaram a tradicional posição de décadas dos republicanos sobre o assunto e pronunciaram-se “em oposição ou inclinados para o não”. Neste grupo está Ted Cruz, eleito pelo Texas, que ao jornal culpou os democratas “e um monte de gente nos média” por se apressarem em “tentar restringir os direitos constitucionais dos cidadãos cumpridores da lei”.

Esta quinta-feira, Ted Cruz foi notícia após virar as costas a um jornalista da televisão britânica “Sky News” que o inquiriu precisamente sobre se era chegado o momento de os Estados Unidos levarem a cabo uma reforma da lei das armas.

O inquérito do diário “The New York Times” apurou que a maioria dos senadores (31) “recusou-se a responder ou desviou o assunto” quando inquirido sobre as iniciativas legislativas democratas.

“Ouça, se for apresentada legislação, vou lê-la com todo o cuidado, como sempre faço”, disse John Kennedy, senador pelo Louisiana, que apesar do sobrenome não tem qualquer grau de parentesco com a família do 35.º Presidente dos EUA, John Fitzgerald Kennedy.

“Acho que todos devemos respirar fundo e tentar descobrir o que causa os problemas antes de começarmos a procurar potenciais soluções”, reagiu com cautela Roger Marshall, senador pelo Kansas.

Indiferente às críticas, a poderosa Associação Nacional das Armas (NRA, na sigla em inglês) prossegue com os preparativos para a sua convenção anual, marcada para este fim de semana em Houston, no Texas, o mesmo estado onde ocorreu o massacre de segunda-feira. Um dos oradores será o ex-Presidente Donald Trump.