Internacional

Colômbia regista 188 vítimas de violência política e 22 mortos no último ano

11 março 2022 8:50

juan barreto/getty images

Atos de violência ocorreram no contexto das eleições legislativas que se realizaram recentemente no país. As vítimas são figuras eleitas, especialmente vereadores, presidentes de Câmara, deputados e senadores

11 março 2022 8:50

A campanha eleitoral para as eleições legislativas de domingo na Colômbia causou, num ano, 188 vítimas de violência política, sendo que 22 morreram e a maioria foi alvo de ameaças, revelou na quinta-feira a Fundação Paz e Reconciliação.

Desde 13 de março de 2021, quando começou o ano eleitoral, que esta organização registou 144 atos de violência, em que estiveram envolvidas 188 vítimas, embora algumas destas tenham sofrido violência durante vários meses.

A maioria dos atos ocorreu em fevereiro e em setembro do ano passado e foram, sobretudo, ameaças (166 casos), embora 22 pessoas tenham sido mortas.

Em fevereiro, esta associação registou acontecimentos "especialmente graves", como ataques dirigidos contra candidatos aos chamados “assentos da paz”, 16 lugares na Câmara dos Deputados que são ocupados por vítimas do conflito armado, eleitos nas zonas rurais mais afetadas.

Quatro em cada dez vítimas são figuras eleitas, especialmente vereadores (23), presidentes de Câmara (16), deputados (14) e senadores (13), embora também tenham sofrido violência membros de partidos políticos, candidatos à Câmara dos Deputados, jornalistas ou candidatos ao Senado.

Em relação à filiação política, 31% das vítimas faziam parte de coligações governamentais a nível local, o que em geral “coincide com partidos alternativos que, após a mudança política em muitos municípios onde chegaram ao governo, passam a ser ameaçados pela violência”, alertou a Fundação no seu Quinto Relatório sobre Violência e Dinâmica Eleitoral.

Quanto aos autores da violência, na maioria dos casos, lembra esta organização, não foi possível esclarecer quem está por detrás dos factos, já que em 70% dos incidentes estes são desconhecidos.

Daqueles que são conhecidos, 14 ocorrências foram atribuídas a dissidentes das FARC, nove às Autodefesas Gaitanistas da Colômbia ou o Clã do Golfo e as restantes a outros grupos paramilitares semelhantes, como Los Caparros ou Las Águilas Negras, além dos guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional.