Internacional

Facebook, Apple, Amazon, Google acusadas de práticas abusivas de monopólio

7 outubro 2020 0:01

Relatório da Comissão de Justiça da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos denuncia que as maiores tecnológicas do mundo operam com tipos de monopólios próprios da “era dos barões do petróleo” e recomenda alterações substanciais à lei antitruste

7 outubro 2020 0:01

Após 15 meses a investigar a forma como operam as maiores empresas de tecnologia do mundo, um painel da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos acusa a Amazon, Apple, Google e Facebook de práticas abusivas de monopólio e recomenda um conjunto de alterações substanciais à lei antitruste.

Num relatório de 449 páginas, apresentado pela pela liderança democrata da Comissão de Justiça da Câmara dos Representantes, as quatro empresas são descritas como startups "fragmentadas" que passaram a atuar como “os tipos de monopólios que vimos pela última vez na era dos barões do petróleo e dos magnatas das ferrovias”.

Segundo o documento dado a conhecer esta terça-feira, estas práticas incluem abusar das suas posições dominantes, estabelecendo e frequentemente ditando preços e regras para o comércio, pesquisa, publicidade, redes sociais e edição.

Segundo o “The New York Times”, a conclusão apresentada aponta para a necessidade de uma profunda reforma legislativa, que corrija as desigualdades, para que seja possível restaurar a concorrência.

“Estas empresas têm muito poder, e esse poder deve ser refreado e sujeito à supervisão e fiscalização adequadas”, pode ler-se no relatório, onde é também recomendada a reestruturação das empresas e a criação de obstáculos que evitem a aquisição de startups.

A forma de remediar e controlar o poder das empresas de tecnologia não reuniu consenso entre democratas e republicanos.

Para a ala democrata, o Congresso deve tornar ilegal que os gigantes da tecnologia garantam tratamento preferencial aos seus próprios produtos, como acontece com a Google nos resultados de pesquisa, ou que possam competir diretamente com outras empresas que usam as suas plataformas, como a Amazon faz no seu mercado.

Alguns republicanos concordaram com as propostas para reforçar o financiamento para as agências de fiscalização antitruste, mas recusaram os apelos para que o Congresso interfira na reestruturação das empresas e nos seus modelos de negócios. Outros recusaram apoiar qualquer das conclusões dos democratas.