Internacional

Navio cruzeiro que colidiu com barco venezuelano pertence a empresa alemã

1 abril 2020 12:55

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

RCGS Resolute é operado pela empresa One Ocean Expeditions

d.r.

O navio foi registado na Madeira e tem bandeira portuguesa há cerca de dois anos, mas os proprietários são alemães e a empresa que o opera é do Canadá

1 abril 2020 12:55

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O navio RCGS Resolute, que Nicolas Maduro acusou de ter abalroado um barco da Marinha da Venezuela, tem bandeira portuguesa desde 2018, quando foi registado na Madeira, mas pertence à empresa Bunnys Adventure and Cruise, com sede em Hamburgo, Alemanha.

O navio é operado por uma outra empresa, a canadiana One Ocean Expeditions, que nos últimos meses viu o Resolute envolvido numa série de outros incidentes principalmente pela acumulação de dívidas, de acordo com informações do site Vesseltracker.

Construído em 1991 nos estaleiros da finlandesa Finnyards, o navio, um cruzeiro de passageiros (capacidade para 146 pessoas) com mais de 120 metros de comprimento, foi registado inicialmente, em 1993, em Nassau, nas Bahamas, pela Bunnys Adventure and Cruise, já então com proprietários alemães.

Acabou por ser registado na Madeira, onde há mais de 600 navios, mas apenas uma dezena de cruzeiros.

Em 2018 foi adaptado para fazer expedições à Antártida, sob operação da One Ocean Expeditions. Em agosto de 2019 foi arrestado no Canadá por causa de um processo para cobrança de uma alegada dívida de 100 mil dólares à empresa Atship Services, mas acabou por seguir viagem.

Em outubro do ano passado o navio voltou a ter problemas. Tentou aportar num porto da Argentina, mas não foi autorizado, devido a dívidas que estavam por liquidar, até que a 4 de novembro foi autorizado a aportar em Buenos Aires com 162 passageiros e 49 tripulantes. Era a última escala antes de rumar à Antártida, mas os passageiros tiveram de abandonar o navio, que ficou nos terminais Rio de Plata.

Segundo o site Vesseltracker, o navio ficou parado mais de um mês em Buenos Aires,até final de novembro. Deslocou-se depois para a Holanda, onde esteve menos de 48 horas, regressando a 10 de dezembro a Buenos Aires, onde permaneceu até 5 de março.

A 30 de março o Resolute colidiu com a lancha venezuelana Naiguatá e esta terça-feira, 31 de março, chegou ao porto de Willemstad, Curaçao.

No seu Facebook, a One Ocean Expeditions publicou em outubro do ano passado uma nota informando os seus clientes de que a empresa estava em reestruturação devido a dificuldades provocadas por um conflito no início do ano com os proprietários russos de dois dos seus navios.

Do histórico de viagens do Resolute constam passagens breves por águas portuguesas. Em maio de 2017 passou por Ponta Delgada e Funchal e em junho esteve algumas horas em Lisboa. Em outubro desse ano voltou a passar por Lisboa e pelo Funchal. Em 2018 esteve a 19 de março em Portimão e a 20 de março em Lisboa. Desde então não voltou a passar por portos portugueses.