Internacional

Steve Bannon ao Expresso: “Se quiserem chamar-me uma das pessoas mais perigosas à face da Terra, usarei esse título como uma medalha”

Polémico como sempre, o ideólogo de Trump fala ao Expresso e diz que a revolução vai chegar à Europa

3 janeiro 2020 23:26

Ricardo Lourenço

Ricardo Lourenço

Correspondente nos Estados Unidos

No início da Administração Trump, apenas um indivíduo trabalhava mais horas na Casa Branca do que o próprio Presidente dos Estados Unidos. Viciado em Red Bull, chegava pelas 6h da manhã e saía às 22h. Amiúde, caminhava 15 minutos até à sua residência de facto, uma vivenda de 14 assoalhadas com fachada em tijolo exposto, antigo quartel-general da “Breitbart News”, publicação que serviu de plataforma para o movimento de extrema-direita Alt-Right. Steve Bannon, de 66 anos, é esse ser incansável. Arquiteto da candidatura do líder americano, serviu como seu estratego chefe entre janeiro e agosto de 2017, caindo em desgraça após proferir declarações pouco abonatórias sobre o clã Trump. O Presidente vexou-o em público, mas Bannon continuou a elogiá-lo. “Os meus irmãos chamaram-me nomes piores. Não levo a sério o que Trump tuíta. Eu e ele sempre tivemos uma excelente relação. Acredito nele como Presidente”, disse em entrevista exclusiva ao Expresso, onde radiografou a política americana, prevendo um novo frente a frente Trump-Hillary para novembro. Detalhou, ainda, o seu movimento nacionalista, arrasou Bruxelas, que acusa de ter “sugado a energia vital das nações”, e defendeu as ligações ao neofascismo europeu. “Temos de destruir este sistema político baseado em oligarcas e servos.” Recentemente, Bannon iniciou uma nova etapa, regressando àquele casarão com vista para o Supremo Tribunal, onde à entrada, sobre a lareira, há um retrato da filha Maureen, uma ex-militar destacada para o Iraque, sentada no cadeirão do ditador Saddam Hussein. A partir da cave, grava todos os dias “War Room: Impeachment”, um programa de rádio em defesa de Trump e contra a ameaça da destituição presidencial [impeachment]. Polémico, como sempre, Steve Bannon avisa: “Isto é uma revolução.”

Recuemos ao início de 2017, quando a revista “Time” o apresentou na primeira página com o título: “O grande manipulador”. Aceita a caracterização de que é o mestre criador de Donald Trump, o Presidente dos Estados Unidos?
Não, isso é ridículo. A “Time” fez aquilo sem sequer me contactar. Não sou citado na história. Na verdade, eles apenas comunicaram com a Casa Branca poucas horas antes da publicação. Tentaram criar uma divisão entre mim e o Presidente Trump.

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