Internacional

Irão. Protestos e repressão das autoridades fizeram pelo menos 106 mortos, Teerão contesta número

20 novembro 2019 8:03

atta kenare/afp/getty images

O balanço é da Amnistia Internacional que cita “relatos credíveis” e acrescenta que “alguns relatos sugerem que cerca de 200 pessoas terão sido mortas”. As manifestações contra o aumento do preço dos combustíveis começaram na sexta-feira e rapidamente se espalharam a pelo menos 100 cidades. Teerão fala em “alegações infundadas e números fabricados”

20 novembro 2019 8:03

Cinco dias de protestos contra o aumento do preço dos combustíveis e a subsequente repressão das autoridades fizeram pelo menos 106 mortos no Irão, afirmou esta terça-feira a Amnistia Internacional, alertando que o número verdadeiro poderá ser muito maior.

O Governo iraniano não divulgou o número de presos, feridos ou mortos nas manifestações que começaram na sexta-feira e rapidamente se espalharam a pelo menos 100 cidades. No entanto, Teerão contestou o relatório da Amnistia através da sua missão nas Nações Unidas, falando em “alegações infundadas e números fabricados”.

A organização não-governamental cita “relatos credíveis” no seu balanço e acrescenta que “alguns relatos sugerem que cerca de 200 pessoas terão sido mortas”. Segundo dados oficiais, três agentes de segurança foram mortos por “desordeiros”.

Internet para o mundo exterior cortada

As autoridades iranianas cortaram o acesso à Internet para o mundo exterior no sábado, um corte que deixou os órgãos de informação estatais como os únicos capazes de relatar o que se está a passar, sublinha a agência de notícias Associated Press (AP). Na terça-feira, a televisão mostrava, por um lado, imagens de Alcorões queimados numa mesquita nos subúrbios da capital e, por outro, manifestações pró-Governo.

Ausente da cobertura noticiosa estava o rastilho dos protestos, nota a AP. O aumento do preço dos combustíveis representa mais um fardo para os iranianos que já sofrem as consequências de um grave colapso cambial, após a retirada unilateral do Presidente dos EUA, Donald Trump, do acordo nuclear de 2015, assinado entre o Irão e vários países, e a reintrodução de pesadas sanções económicas.

Ameaças de execuções por enforcamento

O Presidente Hassan Rouhani prometera que o aumento financiaria novos subsídios para as famílias pobres mas a decisão provocou a revolta entre os iranianos.

Entretanto, os membros da linha dura governamental ameaçaram esta terça-feira os manifestantes violentos com execuções por enforcamento, segundo um artigo publicado no jornal “Kayhan”. Embora o diário estatal tenha uma pequena circulação, o seu editor-chefe, Hossein Shariatmadari, foi nomeado pessoalmente pelo líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei. O jornal também repetiu uma alegação de que os líderes das manifestações vieram do exterior.

No domingo, Khamenei indicou que os manifestantes são aqueles que estavam alinhados com a família do falecido xá do Irão Reza Pahlavi, expulsos há 40 anos, e um grupo de exilados chamado Mujahedeen-e-Khalq (MEK). O MEK pede a queda do Governo do Irão e conta com o apoio do advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani.