Internacional

Príncipe herdeiro saudita e a morte de Khashoggi: “aconteceu sob a minha supervisão”

26 setembro 2019 10:46

ralf hirschberger/picture alliance/getty images

Em declarações a um canal norte-americano no âmbito de um documentário quase a estrear, Mohammed bin Salman assume responsabilidade pelo crime, “por ter acontecido” sendo ele o homem forte do governo saudita

26 setembro 2019 10:46

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, assumiu a responsabilidade pelo assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, por ter acontecido “sob a minha supervisão”. É a primeira vez que o filho do Rei saudita Salman se refere ao crime, ocorrido em outubro de 2018 no interior do consulado do seu país em Istambul, e fê-lo em declarações prestadas à estação norte-americana PBS, no âmbito de um documentário prestes a estrear (a 1 de outubro).

Quase um ano após a macabra morte de Khashoggi às mãos de agentes sauditas, o príncipe admite ser responsável atendendo a que é ele o homem forte do governo saudita, há já vários anos, depois de o pai o ter nomeado seu herdeiro.

A CIA e vários Governos ocidentais apontam o dedo a Mohammed bin Salman como mandante do crime, que a Turquia classificou como “assassínio premeditado” orquestrado pelo Governo saudita.

Já as autoridades de Riade, foram apresentando distintas versões. Começaram por nagar a existência do próprio crime, garantndo que o jornalista abandonara o consulado antes de desaparecer, para mais tarde afirmarem que Khashoggi foi morto numa operação não autorizada.

Um total de 11 suspeitos foram acusados, incluindo cinco que podem ser condenados à morte por terem “ordenado e cometido o crime”. As autoridades sauditas afastaram qualquer ligação do príncipe herdeiro ao caso.

Os últimos minutos de Khashoggi

Já este mês, o jornal turco “Daily Sabah” divulgou transcrições das gravações áudio do jornalista saudita e do esquadrão da morte que o assassinou.

As gravações, obtidas pelos serviços secretos da Turquia e tornadas públicas pelo diário próximo do Presidente Recep Tayyip Erdogan, detalham a troca de palavras, incluindo o pedido feito a Khashoggi para “deixar uma mensagem” para o filho.

Quando o jornalista se recusou a fazê-lo, ouve-se a sugestão do responsável da secreta saudita: “Escreva, senhor Jamal. Apresse-se! Ajude-nos a ajudá-lo porque no final levá-lo-emos de volta para a Arábia Saudita e, se não nos ajudar, sabe o que poderá acontecer eventualmente”.

Khashoggi foi depois drogado e as últimas palavras audíveis antes de perder a consciência são: “Tenho asma. Não façam isso! Vão sufocar-me...” Depois ouve-se o som de uma serra alegadamente a desmembrar o corpo do jornalista de 59 anos, um procedimento que durou 30 minutos. O seu corpo ainda não foi recuperado.