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Novo Banco bloqueia transferência de ativos venezuelanos para o Uruguai

JUAN BARRETO/GETTY IMAGES

Esta intenção do regime venezuelano e consequente bloqueio foram confirmadas à Reuters pelo deputado e presidente da Comissão de Finanças da Assembleia Nacional, Carlos Paparoni, na segunda-feira

Na segunda-feira, Juan Guaidó, o autoproclamado Presidente interino da Venezuela, acusou Nicolás Maduro de estar a tentar transferir 1200 milhões de dólares para o Uruguai. Agora, e depois de uma entrevista de Maduro em que disse que Portugal "sequestrou" 30 milhões de euros, sabe-se que o Novo Banco bloqueou uma transferência de fundos venezuelanos para o Uruguai, conta o “Eco”.

Esta intenção do regime venezuelano e consequente bloquio foram confirmadas à Reuters pelo deputado e presidente da Comissão de Finanças da Assembleia Nacional, Carlos Paparoni, na segunda-feira.

Antes, a Comissão de Finanças da Assembleia Nacional venezuelana, maioritariamente da oposição, pedira a proteção de ativos do país no Novo Banco em Portugal a Juan Guaidó.

“Hoje [segunda-feira] fizemos chegar ao Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, a informação sobre as contas nas quais se encontram os ativos do Estado venezuelano em Portugal, para pedir perante o Novo Banco e o Governo [português] a proteção dos ativos da Venezuela nesse país”, escreveu na sua conta no Twitter o deputado Carlos Paparoni.

A informação foi entregue a Juan Guaidó, atual presidente da Assembleia Nacional, e visa a proteção desses ativos que, segundo o presidente daquela comissão, são de contas em Portugal, constituídas junto do Novo Banco.

Carlos Paparoni sublinhou que o pedido é feito "desde a Comissão Permanente de Finanças da Assembleia Nacional da Venezuela, o único poder legítimo no país” e segundo “o acordo aprovado por unanimidade [no parlamento] em 15 de janeiro de 2019", para "proteger os ativos do Estado venezuelano".

Venezuela, a terra de 300 mil portugueses ou lusodescendentes

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos da América e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, 56 anos, chefe de Estado desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento, maioritariamente da oposição, como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.

Esta crise política soma-se a uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados das Nações Unidas.

Na Venezuela, antiga colónia espanhola, residem cerca de 300 mil portugueses ou lusodescendentes.

Na segunda-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, anunciou que Portugal reconhece e apoia a legitimidade de Juan Guaidó como Presidente interino da Venezuela com a missão de organizar eleições presidenciais livres e justas.

Por seu lado, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, informou que acompanha a decisão do Governo, transmitida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros.

Também na segunda-feira Portugal e outros 18 países da União Europeia assinaram uma declaração conjunta de reconhecimento a Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional, maioritariamente da oposição, como “presidente interino da Venezuela” com o objetivo de convocar “eleições presidenciais livres, justas e democráticas”.