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Empresas e sustentabilidade? Não pode ser apenas “uma mera decisão de charme”

21 outubro 2022 14:51

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Os desafios do sector económico perante as questões ambientais, sociais, e de governança corporativa vão estar em foco no debate “O novo contexto das empresas com os ESG”, organizado pelo Expresso com o apoio da AON, e que dá início ao ciclo de conferências “Vamos Falar de Sustentabilidade”

21 outubro 2022 14:51

A sigla ESG, cada vez mais utilizada no contexto económico, integra as palavras Environmental (Ambiente), Social (Social) e Governance (Governança Corporativa), e agrupa, nesses três eixos, os fatores não financeiros mais relevantes de uma empresa, com a intenção de avaliar o seu desempenho no campo da sustentabilidade. O conceito será o foco do debate “O novo contexto das empresas com os ESG”, organizado pelo Expresso com o apoio da AON para dar início ao ciclo de conferências “Vamos Falar de Sustentabilidade”, e que decorre na próxima terça-feira, 25 de outubro, a partir das 11h30.

João Pedro Oliveira e Costa será um dos participantes no evento e explica que “a maioria das empresas do tecido empresarial português (microempresas e PME) ainda não estão nesse patamar de progresso e necessitam de um maior apoio”. O presidente executivo do BPI chama a atenção para o Relatório do Observatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) realizado pela Universidade Católica com o apoio do BPI e da Fundação “la Caixa” e em que fica claro que “as empresas começam a estar mais conscientes de que, se ficarem para trás no processo de transição, serão menos competitivas dentro e fora do país, e poderão, no futuro, ter mais dificuldades no acesso a financiamento”. A hora de atuar é agora, sobretudo porque “temos disponíveis neste momento quase €9 mil milhões em fundos europeus, tanto do PRR como do Portugal 2030 - para apoiar a transição climática e a descarbonização da indústria. Temos de executar”.

88%

dos investidores globais já classifica o meio ambiente como uma prioridade entre as escolhas de investimentos, segundo dados da BlackRock

“Atualmente, a integração dos princípios ESG na estratégia dos negócios não contempla uma preferência ou uma escolha das organizações”, elabora o chairman da Floene, Diogo da Silveira, “mas sim uma obrigação e responsabilização na definição de uma estratégia sustentável de longo prazo”. Por isso é essencial “reconhecer que o ESG é um processo, um caminho, e não um fim em si mesmo”. Como acrescenta Carlos Mota Santos, vice-CEO do Grupo Mota-Engil, “a evolução do propósito de uma organização, irá não só agregar enquanto coletivo sobre algo que supera a exclusiva geração de valor acionista, mas também contribuir para uma melhor perceção do valor que pretende trazer aos seus stakeholders, reforçando uma cultura organizacional interna mais próxima e adequada às preocupações de sustentabilidade. E reforça: “Agora é o momento certo para as empresas (re)pensarem o seu propósito e agirem, pois acredito que senão o fizerem não irão sobreviver aos novos desafios”.

“As alterações legislativas em curso para aumentar a obrigatoriedade de reporte não-financeiro e associado às práticas de sustentabilidade de empresas de média dimensão, a par de um maior envolvimento das empresas, serão determinantes para a evolução do investimento sustentável em Portugal”, acredita Carlos Mota Santos

Na opinião de Carlos Robalo Freire, CEO da AON Portugal, “é verdade que a relevância do impacto ambiental das empresas no ambiente já é consensual. Mas nos últimos anos tem havido um reconhecimento generalizado, ainda que nem sempre largamente praticável, que a competitividade das organizações é também muito influenciada pelos fatores sociais e pelas estruturas de governo corporativo”. Parece então evidente que “a implementação de práticas de ESG não pode ser vista como uma mera decisão de charme, deve ser antes um imperativo estratégico. É, no nosso entendimento, uma licença para operar”. De acordo com números da McKinsey, justifica, “o investimento orientado para práticas de ESG sofreu um aumento estratosférico de 68% desde 2014 e de dez vezes mais desde 2004”. Por isso, “integrar fatores ESG na tomada de decisões corporativas faz parte de uma boa estratégia de gestão de risco”. Lembra Rui Diniz, CEO da CUF, que “é importante incentivar esta consciência coletiva de que as empresas têm um papel a desempenhar na sociedade em que vivemos que não se resume a um papel meramente económico, na produção de bens e serviços. Esta jornada da sustentabilidade traz, naturalmente, desafios, mas igualmente muitas vantagens”.

“O novo contexto das empresas com os ESG”

O que é?

A sustentabilidade está para o ambiente como a transformação digital está para a tecnologia: é uma palavra demasiadas vezes repetida, mas raramente vivida. Por outras palavras, mais do que parecer, é preciso ser. Por isso, em 2022, o Expresso e a AON vão falar de sustentabilidade ambiental, social, económica e debater os principais desafios nesta área.

Quando, onde, e a que horas?

Terça-feira, 25 de outubro, no edifício da Impresa, a partir das 11h30.

Quem são os oradores?

  • Nuno Conde, Administrador, Impresa
  • Carlos Robalo Freire, CEO, AON Portugal
  • Carlos Mota Santos, Vice-CEO, Mota-Engil
  • Helena Freitas, Diretora-Geral, Sanofi
  • Diogo da Silveira, Chairman, Floene
  • Pedro Penalva, CEO Executive Officer Iberia, Africa e Israel, AON
  • Rui Diniz, CEO, CUF
  • João Pedro Oliveira e Costa, CEO, BPI
  • Clara Raposo, Dean, ISEG

Porque é que este tema é importante?

Porque enfrentamos uma fase em que o mundo vive um processo de acelerada mudança, e se a emergência climática é uma evidência, o incerto contexto global marcado pela guerra e pela incerteza económica, com a inflação a pressionar as famílias em todas as vertentes da sua vida, pode levar à tentação de repensar alguns compromissos assumidos recentemente. Importa assim perceber porque é que investir na sustentabilidade continua a ser essencial e como é que as empresas podem ser mais eficientes e beneficiadas neste campo.

Como posso assistir?

É clicar AQUI.