Seis meses de guerra na Ucrânia

O plano é regressar, mas “ainda não vai dar”. Portugal é cada vez menos um lar temporário para quem fugiu da guerra

24 agosto 2022 18:18

Ana França

Ana França

Jornalista

Tiago Miranda

Tiago Miranda

Fotojornalista

Anastasiia e Yehven Kravchenko, com Lev e o recém-nascido Kit, no Príncipe Real, em Lisboa, onde costumam ir em família nos dias de folga. Chegaram a Portugal diretamente de Istambul, onde estavam de férias quando a guerra começou. Já vivem sem ajuda há cerca de quatro meses

tiago miranda

Mãe e filha sozinhas pela segunda vez nesta vida de refugiadas; um casal tão jovem que ele chegou menor e teve de esperar até aos 18 para poder ganhar o seu salário e um outro casal que já ficará ligado a Portugal para sempre: têm um filho que já nasceu em Lisboa. Todos conseguiram já autonomizar-se, graças à ajuda de uma rede de solidariedade que se montou através de vários grupos do Whatsapp, Não mudou o desejo de voltar à Ucrânia, mas todos reconhecem que Portugal já não é só morada temporária

24 agosto 2022 18:18

Ana França

Ana França

Jornalista

Tiago Miranda

Tiago Miranda

Fotojornalista

Há sirenes a tocar em Lviv. Yana está em Lisboa, a caminhar por um jardim calmo sob o sol quente da hora de almoço, fala do clima, da praia acessível numa breve viagem de comboio desde o centro da cidade, mas quando o telefone que traz na mão emite o sinal de uma nova notificação, por milésimos de segundo Yana está de novo na Ucrânia. A guerra no seu país, a mais de 3500 quilómetros de Portugal, volta a entrar pelo seu dia. Há sirenes a tocar na cidade onde deixou a mãe, o marido e a irmã. “Continua a haver muitas sirenes, mesmo em Lviv, porque as autoridades mandam soar o aviso num raio sempre muito maior do que a ameaça direta. Se houver suspeita de bombardeamento de Odessa, por exemplo, soam sirenes em todo o oeste”, explica Yana Strunina, ilustradora e designer de 37 anos, originalmente de uma pequena localidade perto da cidade de Donetsk, na região do Donbas, de onde fugiu pela primeira vez em 2014. Nessa altura, de uma outra guerra com a Rússia, que há mais de oito anos vem erodindo a paz da zona leste do país.