Guerra na Ucrânia

Reportagem em Odessa. “Quem se porta como nazis são os soldados russos”

20 março 2022 13:42

Ricardo García Vilanova, em Odessa

Barreiras contra tanques em Odessa

scott peterson/getty images

A sociedade civil organiza-se, solidária. Do mar, os navios de Putin recordam que a invasão pode vir a qualquer instante

20 março 2022 13:42

Ricardo García Vilanova, em Odessa

“Aqui não há nazismo, vivíamos todos em paz”, garante ao Expresso o informático Daniel Oks, diante da sinagoga Shamari Shabat, em Odessa. Aos 41 anos, deixou mulher e filhos de 5 e 12 anos na fronteira moldava. “Putin está a enganar o seu povo e todo o mundo: diz que na Ucrânia há um Governo nazi, mas aqui quem se comporta como os nazis na II Guerra Mundial são os soldados russos: começam a bombardear-nos de madrugada e não param de matar civis. Sempre vivi na Ucrânia e nunca fui atacado por um neonazi. É um disparate chamar nazi a Zelensky, de origem judia e russófono. Putin devia explicar aos judeus de Odessa o que quer dizer com ‘desnazificar a Ucrânia’.”

Há três sinagogas na cidade, conta, e esta é a principal. Vinham cerca de 200 pessoas por dia, agora são menos de um quarto. O certo é que dos 13 mil membros da comunidade judaica restam perto de 300. “Não tenho medo, só de Deus”, afirma Daniel. Odessa é o principal porto do Mar Negro. Quem fugiu fê-lo sobretudo para a Moldávia ou a Roménia. Uma mulher descreve como uma habitante de 105 anos, levada nos primeiros dias da guerra, julgava estar de novo na II Guerra Mundial.