Transportes

Com presidentes afastados pelo Governo, TAP assina acordo para a venda da Groundforce

Com presidentes afastados pelo Governo, TAP assina acordo para a venda da Groundforce
André Luís Alves

Assembleia de credores da Groundforce tem de aprovar plano de insolvência que passa pela venda a grupo estrangeiro. Tribunal terá de homologar. Presidente da administração diz que sem Groundforce a TAP não existe

Enquanto o presidente do Conselho de Administração, Manuel Beja, falava na comissão de inquérito, a TAP decidiu anunciar publicamente a solução para a Groundforce, a empresa de gestão em terra que trabalha com a TAP.

O comunicado, assinado pelo administrador financeiro, Gonçalo Pires, confirma que a TAP e o empresário Alfredo Casimiro vão perder a posse da Groundforce. A maioria do capital vai para a inglesa Menzies Aviation, que vai capitalizar a empresa. A TAP vai manter-se acionista, porque vai converter créditos, mas será minoritária. Não são apontados valores.

“Foi hoje assinado o Acordo de Subscrição (“Subscription Agreement”), entre a SPDH – Serviços Portugueses de Handling (Groundforce) e a sua respetiva Massa Insolvente, a TAP e a subsidiária portuguesa da Menzies Aviation, nos termos do qual as partes acordaram nos termos e condições do Plano de Insolvência a apresentar no processo de insolvência a submeter à Assembleia de Credores da Groundforce, tendo em vista a recuperação e revitalização da Groundforce”, comunicou a companhia aérea à CMVM ao final da noite desta terça-feira, 11 de abril.

A Menzies Aviation é britânica, tendo sido aquirida recentemente pela National Aviation Services, do Kuwait.

Obtenção de autorizações

"A submissão do Plano de Insolvência à respetiva Assembleia de Credores da Groundforce está sujeita à prévia obtenção de um conjunto de aprovações e autorizações, iniciando-se, nesta data, o prazo para obtenção das necessárias aprovações e autorizações", indica o comunicado.

“Caso o processo de obtenção das necessárias aprovações e autorizações seja concluído com sucesso, sem alterações materiais, e após a aprovação do plano de insolvência pela Assembleia de Credores da Groundforce e homologação do plano de insolvência pelo tribunal competente, a Groundforce deverá ser capitalizada pelo investidor selecionado, passando este a deter a maioria do respetivo capital social, sendo o capital remanescente subscrito pela TAP, mediante a conversão de créditos sobre a Groundforce, sem aporte de capital adicional pela TAP”, concretiza a empresa.

Decisão com presidentes exonerados

Na audição, Manuel Beja garantiu que “sem Groundforce, não há TAP”. “A nossa preocupação foi sempre garantir que a Groundforce não parava”, declarou.

O acordo surge enquanto Manuel Beja e Christine Ourmiéres-Widener, a presidente executiva, foram já notificados de que vão ser destituídos pelo acionista Estado. Apesar de o anúncio de João Galamba e Fernando Medina para o afastar ter sido no início de março, ainda não se concretizou esse processo, pelo que Luís Rodrigues, vindo da SATA, ainda não entrou em funções.

Manuel Beja disse que o Conselho de Administração tem-se reunido, mas que não quer tomar “decisões futuras que possam ser tomadas pelo novo presidente do Conselho de Administração e da Comissão Executiva, que será a mesma pessoa”.

A TAP tem em processo a venda de 44% do capital da Groundforce, mas as discordâncias com o acionista maioritário, Alfredo Casimiro, têm atrasado o processo.

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