Economia

Taxa de desemprego sobe para 7,2% no primeiro trimestre de 2023

Taxa de desemprego sobe para 7,2% no primeiro trimestre de 2023
Tiago Miranda

A taxa de desemprego em Portugal atingiu 7,2% no primeiro trimestre deste ano, indicam os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística esta quarta-feira. Valor compara com 6,5% no trimestre anterior e com 5,9% no primeiro trimestre do ano passado

A evolução do mercado de trabalho em Portugal nos primeiros três meses deste ano ficou marcada por um agravamento da taxa de desemprego, para 7,2%, indicam os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), publicados esta quarta-feira. Este valor compara com 6,5% no trimestre anterior e com 5,9% nos primeiros três meses do ano passado.

O INE estima que o número de desempregados no país tenha atingido os 380,3 mil no primeiro trimestre deste ano. Este número representa um aumento de 11% (mais 37,6 mil pessoas) em relação ao trimestre anterior e uma subida de 23,3% (mais 71,9 mil pessoas) em termos homólogos, ou seja, em relação ao primeiro trimestre do ano passado.

Mas nem tudo são más notícias. É que apesar da subida do desemprego, o emprego também aumentou.

O INE indica que a população empregada em Portugal no primeiro trimestre deste ano atingiu 4,9247 milhões de pessoas pessoas. Trata-se de um aumento de 0,4% (mais 21,8 mil pessoas) em relação ao trimestre anterior e uma subida de 0,5% (mais 23,8 mil pessoas) relativamente ao trimestre homólogo.

Como se explica esta subida do emprego, dado que o desemprego também aumentou? Um dos fatores que pode ajudar a explicar esta evolução é uma redução da inatividade, com regresso de inativos ao mercado de trabalho.

Ora, de facto, o INE aponta que a população inativa com 16 e mais anos (estimada em 3,5373 milhões de pessoas) diminuiu 1% (menos 34,6 mil pessoas) em relação ao trimestre anterior e baixou 1,6% (menos 55,8 mil pessoas) em termos homólogos.

Outro fator que pode ajudar a explicar este aumento simultâneo do emprego e do desemprego em Portugal é a entrada de trabalhadores no país. Nomeadamente imigrantes estrangeiros que chegam a Portugal ou emigrantes portugueses que agora regressem ao país.

Já a subutilização do trabalho - um indicador a que os especialistas dão muita atenção, porque que traduz o desemprego em sentido mais lato - dá um sinal de alerta.

Para além das pessoas contabilizadas como desempregadas pelo INE, este indicador abrange também os inativos disponíveis para trabalhar mas que não procuraram ativamente emprego (os chamados ‘desencorajados’), os inativos que procuraram ativamente emprego mas que não estavam no imediato disponíveis para ocupar uma vaga, e os trabalhadores a tempo parcial que gostariam de trabalhar mais horas (o chamado subemprego).

Ora, tudo somado, a subutilização do trabalho abrangeu 680,7 mil pessoas no primeiro trimestre deste ano, indica o INE. É um aumento de 7,5% (mais 47,6 mil pessoas) em relação ao trimestre anterior e de 10,1% (mais 62,5 mil pessoas) na comparação homóloga.

De modo idêntico, a taxa de subutilização do trabalho, estimada em 12,5% pelo INE, aumentou em relação aos dois trimestres de comparação: o anterior (mais 0,8 pontos percentuais) e o homólogo (mais um ponto percentual).

Este aumento da subutilização do trabalho no primeiro trimestre deste ano é explica, segundo o INE, pelo aumento do desemprego, o incremento do subemprego de trabalhadores a tempo parcial (ou seja, trabalho a tempo parcial em que os trabalhadores desejariam trabalhar mais horas), e uma subida do número de inativos à procura de emprego mas não disponíveis no imediato para ocupar uma vaga.

Em sentido contrário, o número de inativos disponíveis para trabalhar mas que não procuraram ativamente emprego (os chamados desencorajados) diminuiu.

Tem dúvidas, sugestões ou críticas? Envie-me um e-mail: slourenco@expresso.impresa.pt

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