Economia

Turbulência financeira deixa bancos centrais de mãos atadas

24 março 2023 22:24

João Silvestre

João Silvestre

Editor de Economia

Christine Lagarde (BCE) e Jerome Powell (Fed)

mike theiler/reuters

Dilema. Política monetária tenta equilibrar combate à inflação e defesa da estabilidade financeira

24 março 2023 22:24

João Silvestre

João Silvestre

Editor de Economia

Até aos primeiros sinais de problemas no californiano Silicon Valley Bank (SVB), a 8 de março, era praticamente garantido que os principais bancos centrais do mundo — Banco Central Europeu (BCE), Reserva Federal dos EUA (Fed) ou Banco de Inglaterra (BoE) — iriam continuar a subir os juros rapidamente. Os aumentos robustos de meio ponto percentual (50 pontos-base) tornaram-se, inclusive, o ‘novo normal’ para o BCE, o BoE e os bancos centrais da Dinamarca, Islândia, Israel, Nova Zelândia e Suécia, face a decisões mais moderadas por parte da Fed e dos bancos centrais da Austrália, Canadá e Coreia do Sul, que optaram por agravar apenas um quarto de ponto percentual (25 pontos-base).

A taxa de inflação nas economias desenvolvidas já começou a descida, mas continua bem longe dos 2% pretendidos. Nos EUA, onde a inversão aconteceu há mais tempo, já está em 6% (dados de fevereiro passado). Na zona euro, que chegou mais tarde ao problema e onde o BCE só em julho meteu o pé no travão, estava ainda em 8,5% no último mês, e, dizem as últimas estimativas do banco apresentadas na semana passada, só em 2026 poderá voltar à meta de 2%. Só que a crise nos bancos norte-americanos, primeiro, e no Credit Suisse, depois, na Europa, estão a deixar os banqueiros centrais encostados à parede. O dilema existe, mesmo que insistam em negá-lo, como tem feito Christine Lagarde, a líder do BCE, desde a reunião de 16 de março. A escolha é entre, por um lado, manter a subida dos juros, e com isso provocar novos problemas em bancos ou outras instituições financeiras, ou, por outro, abrandar a subida, para evitar novos males no sistema financeira e atrasar a descida da inflação.