Economia

‘Guerra fiscal’ na comunidade de Madrid

22 janeiro 2023 20:54

Ángel Luis de la Calle

Ángel Luis de la Calle

Correspondente em Madrid

Isabel Díaz Ayuso contesta as medidas fiscais do governo central, liderado por Pedro Sánchez

atilano garcia/sopa images/sipa usa

Presidente da Comunidade Autónoma de Madrid diz que as medidas fiscais do governo socialista irão afugentar os investidores

22 janeiro 2023 20:54

Ángel Luis de la Calle

Ángel Luis de la Calle

Correspondente em Madrid

A presidente da Comunidade Autónoma de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, verdadeira representante da ala mais direitista do conservador Partido Popular (PP), deu mais um passo, desta vez de natureza fiscal, na guerra aberta que mantém com o Governo de coligação espanhol presidido pelo socialista Pedro Sánchez (Partido Socialista Operário Espanhol, PSOE, centro-esquerda). Ayuso, que não perde a mínima oportunidade de preconizar todo o tipo de catástrofes se Sánchez permanecer no poder, inaugurou a campanha deste longo ano eleitoral anunciando uma medida importante para estimular o investimento estrangeiro na região de Madrid: 20% de redução linear na quota autonómica do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares (IRPF) para todos os investidores estrangeiros e nacionais emigrados, desde que não tenham tido residência em Espanha nos últimos cinco anos; não há limite para o montante a ser investido nem para o destino desses investimentos.

A presidente de Madrid não faz segredo do facto de que a sua intenção é neutralizar, na medida do possível, o Imposto Temporário de Solidariedade das Grandes Fortunas, conhecido como o “imposto sobre os ricos”, que o Governo espanhol introduziu há alguns meses juntamente com outros impostos especiais a serem aplicados aos bancos, a outras instituições financeiras e a grandes empresas de energia, cujas contas de lucros e perdas estão a ser muito favorecidas no atual cenário de aumentos generalizados de preços. Para Ayuso e a sua equipa, que fizeram o anúncio na sessão de abertura do Spain Investors Day, estas medidas fiscais do governo socialista apenas irão afugentar os investidores, especialmente da América Latina, e favorecer esses fluxos para cenários mais favoráveis, tais como Portugal ou Florida (EUA). A política madrilena adornou o anúncio da sua medida com o palpite de que “se Sánchez repetir a vitória (nas eleições gerais no final deste ano), o que não vai acontecer, a economia espanhola entrará em colapso a partir desse dia”.