Economia

Famílias portuguesas com necessidades de financiamento num nível que já não se verificava desde 2008

12 janeiro 2023 15:08

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As famílias apresentaram no terceiro trimestre de 2022 uma situação líquida de necessidade, em vez de capacidade, de financiamento, o que acontece pela primeira vez desde 2008, segundo o Banco de Portugal

12 janeiro 2023 15:08

As necessidades de financiamento das famílias atingiram 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, segundo dados do Banco de Portugal (BdP) divulgados esta quinta-feira, 12 de janeiro.

A última vez que os particulares tinham apresentado, em termos líquidos, necessidades de financiamento tinha sido em 2008. Desde então, os números do BdP sempre apontaram para os particulares uma situação de capacidade de financiamento. Ou seja, vinha-se observando globalmente uma maior disponibilidade das famílias para financiarem outros sectores da economia, por via de instrumentos de poupança, por exemplo. Mas, entretanto, a situação inverteu-se e as necessidades de endividamento dos particulares cresceram.

Já o Estado, numa altura de encaixe fiscal adicional graças à inflação, teve capacidade de financiamento com o maior saldo desde 1995, ano em que o banco central português iniciou a série de contas nacionais financeiras. A capacidade líquida de financiamento das administrações públicas cresceu para os 1,1% do PIB em julho, agosto e setembro de 2022.

A economia portuguesa, no seu todo, apresentou uma necessidade de financiamento de 0,9% do PIB no terceiro trimestre. “Este resultado reflete as necessidades de financiamento das sociedades não financeiras e dos particulares (de 2,9% e 0,2% do PIB, respetivamente), que, em conjunto, excederam as capacidades de financiamento das administrações públicas e das sociedades financeiras (de 1,1% do PIB, em ambos os casos)”, de acordo com o BdP.

No trimestre homólogo, porém, a economia nacional representava uma capacidade de financiamento de 0,5%. “O agravamento deste saldo reflete a redução do saldo dos particulares em 4 pontos percentuais (pp) do PIB, que passou de uma capacidade de financiamento para uma necessidade de financiamento”, segundo o BdP.

Face ao terceiro trimestre de 2021, “a necessidade de financiamento do setor das sociedades não financeiras aumentou 1,3 pp”, ao passo que “a capacidade de financiamento das sociedades financeiras diminuiu 1,1 pp.”

“No sentido oposto, o saldo das administrações públicas aumentou 5,0 pp, passando de uma necessidade de financiamento para uma capacidade de financiamento”, com o Estado a registar o maior excedente desde o início da série, em 1995.