Economia

Gardunha vai receber central solar de larga escala acoplada a um dos maiores parques eólicos do país

2 janeiro 2023 12:58

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

d.r.

Em mais um projeto híbrido, a Generg pretende investir 36 milhões de euros numa central fotovoltaica no distrito de Castelo Branco, na região da Gardunha, com 163 mil painéis solares, que ocuparão 44 hectares

2 janeiro 2023 12:58

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A região da Gardunha, que já alberga um dos maiores parques eólicos do país, prepara-se para receber uma central solar de larga escala. O projeto, da empresa de energias renováveis Generg, entrou em fase de licenciamento ambiental, com uma consulta pública iniciada no dia 27 de dezembro e que se estende até 3 de fevereiro.

Trata-se de mais um projeto de hibridização de projetos renováveis, ou seja, de aproveitamento do mesmo ponto de injeção de energia na rede elétrica, para diferentes fontes de produção.

A hibridização tem sido uma estratégia seguida por várias energéticas, que pretendem otimizar o uso dos pontos de injeção que já exploram, para poderem investir em capacidade adicional de produção de eletricidade sem passarem pelo complexo processo de obtenção de nova capacidade de injeção na rede.

O projeto da Gardunha está a ser desenvolvido pela empresa Generg Hibridização e prevê um investimento de 36 milhões de euros. Será criada uma central solar com uma potência total de 86,5 megawatts (MW) e uma potência de ligação à rede de 72,75 MW. O empreendimento terá quase 163 mil painéis solares, que ocuparão 44 hectares, distribuídos por dois terrenos de maior dimensão, um com 180 hectares e outro com 17.

A central será instalada entre as povoações de Barbaído e Freixial do Campo, mas precisará de instalar uma linha elétrica de 15 quilómetros que levará a energia até à subestação do parque eólico já existente, mais a norte, na serra da Gardunha.

O estudo de impacto ambiental estima que a central solar implique o abate de 399 sobreiros jovens (dos quais 224 sãos, 238 “decrépitos” e 37 “mortos”). O estudo estima que a perda de áreas verdes decorrente da instalação dos painéis solares implique a libertação de mais de 3 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2), parcialmente mitigada (em 776 toneladas) com a reposição de coberto vegetal, mas totalmente compensada por via das emissões evitadas na produção de eletricidade: o volume de energia que a central solar irá gerar durante a sua vida útil evitará quase 30 mil toneladas de CO2, caso a mesma eletricidade viesse de centrais alimentadas a gás natural.

Esta central fotovoltaica, se receber “luz verde” da Agência Portuguesa do Ambiente, usará o ponto de injeção que é explorado há vários anos pelo parque eólico da Gardunha, que tem 114 MW de capacidade instalada e 57 aerogeradores, em operação desde o ano 2008.

Entre os vários projetos de hibridização que têm entrado em licenciamento ambiental em Portugal incluiu-se o da central solar de Sendim, que terá uma potência de 120 MW no concelho de Tabuaço, distrito de Viseu, aproveitando a ligação à rede do parque eólico do Alto Douro, que soma mais de 250 MW de potência instalada (em cerca de uma centena de torres eólicas). Esta central fotovoltaica recebeu parecer favorável condicionado da APA em setembro de 2021.

Embora muitos dos projetos de hibridização em Portugal envolvam parques eólicos, de forma a aproveitar pontos de ligação que estão longe de injetar energia na rede a todas as horas do dia, também há outros projetos com diferentes tecnologias.

É o caso do projeto da Iberdrola para aproveitar o ponto de ligação do complexo hidroelétrico do Tâmega: a empresa espanhola pretende vir a desenvolver o que poderá ser o maior parque eólico do país, usando o ponto de rede explorado pelas três barragens já construídas.