Economia

Bruxelas quer reformar mercado de eletricidade e proposta focada nas renováveis estará pronta até março

2 janeiro 2023 8:39

tiago miranda

Kadri Simson, comissária de energia da UE, disse que há uma “pressão política muito forte” para redesenhar o mercado da eletricidade. Proposta deverá estar completa até ao final do primeiro trimestre

2 janeiro 2023 8:39

Bruxelas planeia reformar o mercado de eletricidade dos 27, para dar prioridade à incorporação de energia renovável mais barata, disse a comissária de energia da União Europeia (UE), apesar dos alertas da indústria de que as reformas podem sufocar o investimento em parques eólicos e solares.

Kadri Simson disse, citada pelo “Financial Times”, que a Comissão Europeia está sob “pressão política muito forte” para redesenhar o mercado para reduzir as contas dos consumidores enquanto a UE enfrenta a pior crise de energia em algumas décadas.

“Estamos a trabalhar em circunstâncias extraordinárias e a entregar [as reformas] mais rápido do que a Comissão costuma fazer”, disse a comissária europeia em entrevista.

Simson indicou que a Comissão está a analisar como levar os “benefícios de uma parcela maior de energias renováveis” aos consumidores. “Também vamos precisar de gás, mas não queremos criar um sistema em que funcione 24 horas por dia, sete dias por semana”, acrescentou.

Uma versão preliminar do documento, vista pelo jornal, propõe a extensão de um imposto extraordinário às empresas de energia renovável, cujos benefícios são repassados aos consumidores e que expira em 2023.

Porém, gestores da indústria já disseram que as propostas de Bruxelas vão prejudicar contratos de longo prazo de compra de energia.

“Falar sobre reformar o mercado de eletricidade para eliminar quaisquer margens imaginárias é o pensamento errado num momento muito crítico”, disse Ulrik Stridbæk, responsável da Ørsted, empresa de energia dinamarquesa.

Já Christian Zinglersen, diretor da agência europeia de reguladores de energia, disse que as mudanças de longo prazo devem fornecer “os sinais de investimento certos para todas as novas construções necessárias para realizar a transição energética muito acelerada e ambiciosa”.

Após consulta pública das reformas, a proposta completa estará pronta até ao fim do primeiro trimestre.