Economia

Centeno quer fusões na banca. BCP com Novobanco? "O mercado é que tem de decidir"

22 dezembro 2022 9:36

Governador do Banco de Portugal, Mário Centeno. Foto Ana Baião

ana baiao

Mário Centeno é a favor de fusões na banca, mas em relação a uma possível fusão entre o BCP e o Novobanco o ex-ministro mostrou-se cuidadoso pois o "papel do banco central não é mover o mercado”

22 dezembro 2022 9:36

O governador do Banco de Portugal (BdP), Mário Centeno, voltou a apoiar, em entrevista ao “Jornal de Negócios”, fusões na banca, mas não se pronuncia sobre quais.

Questionado sobre se tinha alguma operação em mente, o ex-ministro das Finanças disse que “o mercado é que tem de decidir”.

E em relação a uma possível fusão entre o BCP e o Novobanco Centeno mostrou-se cuidadoso com as palavras: “Todas as frases que diga em relação a esse negócio podem mover o mercado e o papel do banco central não é mover o mercado”.

Ainda assim, notou que “as sinergias que possam surgir desse emparelhamento ou de qualquer outro que seja sustentável no mercado português, seriam benéficas para o sistema bancário”.

Centeno focou-se na importância da estabilidade, redução de risco e aumento do capital como pontos fulcrais para a banca. E não se mostrou preocupado com o facto da Fosun ser acionista do BCP, pois “não é um banco em Portugal” e o BCP “é uma instituição que tem todas estas características”.

Em relação ao peso da banca espanhola em Portugal, o governador do banco central disse que Portugal tem “uma economia mais dinâmica que a espanhola” e que não considera que a contração da banca espanhola na última crise tenha tido um peso no país: “Não tem nada a ver com nacionalidade. Havia um risco íntriseco na economia portuguesa que coibia outros capitais”.

Depois de 2015, "o capital dos bancos foi diversificado, houve a capitalização da CGD [Caixa Geral de Depósitos"], capital dos quatro continentes foi para os maiores bancos", colocando assim Portugal e a sua banca numa melhor posição, segundo Centeno.