Economia

TAP acredita num acordo que evitará nova greve e reafirma que a companhia está no "bom caminho"

19 dezembro 2022 19:13

patricia de melo moreira

Depois da greve dos tripulantes de cabina a 8 e 9 de dezembro, a administração da TAP acredita que há condições para chegar a acordo e evitar uma nova paralisação. Presidente da TAP defende que os números de 2022 vão mostrar que a companhia está na rota certa

19 dezembro 2022 19:13

A TAP esteve reunida com o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) esta segunda-feira de manhã e na semana passada, e a presidente da companhia acredita que é possível chegar a acordo e evitar assim mais dias de greve.

O sindicato dos tripulantes, recorde-se, admitiu avançar com mais cinco dias de greve até ao final de janeiro, em protesto contra a proposta apresentada pela administração, para o acordo de empresa. Entretanto, está afastada a greve dos tripulantes de cabina até ao Natal, e não deverá decorrer mais nenhuma este ano, uma vez que é preciso fazer um pré-aviso de greve com dez dias de antecedência e isso ainda não aconteceu.

“Penso que tivemos um bom desenvolvimento na nossa discussão e penso que será possível, a dada altura, anunciar algo", adiantou aos jornalistas a presidente executiva da TAP, Christine Ourmières-Widener, à margem de um almoço com jornalistas nas instalações da Cateringpor, em Lisboa. E explicou: “Ainda estamos a tentar chegar a acordo com o SNPVAC, porque acreditamos que é possível chegar a um entendimento”.

“Temos a noção que é um período crítico para os nossos clientes, para os portugueses. Acho que o sindicato também tem em mente que há uma necessidade de assegurar a conectividade do país. Temos de esperar pelo fim da discussão”, explicou ainda a gestora. E frisou: “Queremos evitar a greve, se for possível”. O administrador Ramiro Sequeira, acrescentou ainda, não esteve no encontro com os jornalistas, porque está envolvido nas negociações com o sindicato dos tripulantes.

O que separa a TAP do SNPVAC? Christine Ourmières-Widener admite que são principalmente "questões financeiras" e a "forma como nós organizamos o seu trabalho". E explicou: “Estamos a trabalhar nos detalhes. A mensagem é que valorizamos muito o que os tripulantes estão a dar à companhia, são muitas vezes os únicos com quem os nossos clientes se relacionam. São a cara da companhia. Queremos chegar a uma solução para trabalharmos ainda melhor no futuro”.

A TAP ainda não fez as contas finais do impacto da greve a 8 e 9 dezembro dos tripulantes de cabina. Inicialmente a TAP apontou para um custo de 8 milhões de euros. "Não tenho os números finais, mas andará à volta desses valores", sublinhou. Os números deverão ser conhecidos no final do ano, disse ainda. Para já, a TAP não quer avançar com estimativas para os cinco dias de greve, porque ainda espera chegar a acordo com os tripulantes.

Christine Ourmières-Widener afirmou que o limite das negociações com os sindicatos é o que está determinado nos acordos de emergência, assinados com todos os sindicatos para poder aplicar o plano de reestruturação, que implicou, entre outras medidas, cortes de salários que ainda vigoram. Ainda assim, sublinhou, “há um número de questões que podem ser discutidas”.


Maior oferta em 2023, implicará mais trabalhadores


A trabalhar para voltar a ter uma oferta em 2023 aos níveis da de 2019, a presidente da TAP admite que pode vir a ter necessidade de contratar mais trabalhadores. “Ainda estamos no processo”, disse. Porém, acrescentou: "estamos em conversações com os tripulantes de cabina, estamos em conversações com os pilotos e com o call center, uma vez que mais voos vai precisar de mais trabalhadores", explicou.

Christine Ourmières-Widener está confiante que 2022 irá revelar-se um bom ano e melhor do que em 2021. “Estamos no caminho certo”, assegurou. “Vamos ver o que o Natal nos traz, mas estamos confiantes de que os resultados vão mostrar que estamos a progredir muito em termos de estabilidade financeira”, afirmou.