Economia

Remodelação no Governo: novo secretário de Estado da Economia vai mandar nos seus próprios chefes

29 novembro 2022 22:27

rodrigo antunes/lusa

O diretor dos fundos europeus para as empresas, Pedro Cilínio, vai passar a tutelar os presidentes do IAPMEI, Francisco Sá, e do Compete, Nuno Mangas, enquanto secretário de Estado da Economia. Já Nuno Fazenda decidiu abandonar a presidência da recente subcomissão parlamentar para o acompanhamento dos fundos europeus e do PRR para assumir a secretaria de Estado do Turismo, Comércio e Serviços

29 novembro 2022 22:27

À beira de entrar em 2023 – um ano decisivo para o triplo desafio do encerramento do velho quadro comunitário Portugal 2020, do lançamento do novo quadro Portugal 2030 e para a aceleração do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) - o ministro da Economia, António Costa Silva, decidiu recorrer à “prata da casa” e escolher para seu novo secretário de Estado da Economia, Pedro Cilínio, o maior responsável pela execução dos fundos europeus das empresas na Agência para a Competitividade e Inovação (IAPMEI).

Já para novo secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços escolheu Nuno Fazenda, o deputado que, em junho de 2022, fora apontado pelo Partido Socialista a presidente da subcomissão parlamentar para o acompanhamento dos fundos europeus e do PRR.

IAPMEI perde perito dos incentivos às empresas

Quanto a Pedro Cilínio, é neste diretor que sucessivos presidentes do IAPMEI têm delegado toda a operacionalização das candidaturas das empresas aos incentivos europeus. É o caso de Francisco Sá, atual presidente do IAPMEI. Ou de Nuno Mangas, o anterior presidente do IAPMEI, que saiu em 2020 para comandar o maior programa operacional de fundos europeus para as empresas, o Compete.

Os papéis inverter-se-ão a partir da próxima sexta-feira, 2 de dezembro, quando Pedro Cilínio tomar posse, no Palácio de Belém, como novo secretário de Estado da Economia, em substituição de João Neves. O diretor do IAPMEI ascenderá diretamente ao Governo, passando a tutelar os seus antigos ‘patrões’ Francisco Sá e Nuno Mangas.

Pedro Cilínio é tido como tecnicamente muito forte nesta área dos sistemas de incentivos às empresas. Mas as suas competências para o combate político e o desenho das políticas públicas são, para já, uma incógnita. Nos corredores dos fundos europeus, não era apontado a secretário de Estado, mas a futuro presidente do IAPMEI.

O novo secretário de Estado da Economia nasceu em Cascais, em 1972, e começou a trabalhar no IAPMEI há cerca de um quarto de século.

Do currículo governamental, consta uma licenciatura em Engenharia e Gestão Industrial pelo Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa, em 1997. Mestre em Engenharia e Gestão Industrial pelo Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, em 2016. E também mestre em Gestão de Empresas, pelo ISCTE-IUL, em 2017.

No IAPMEI, Pedro Cilínio foi coordenador do Centro de Análise de Projetos Sul (março de 2002 a maio de 2003), coordenador da Unidade de Gestão Operacional e Qualidade (de maio de 2003 a dezembro de 2003), diretor da Unidade de Incentivos ao Investimento de Impacto Empresarial (dezembro de 2003 a fevereiro de 2004). Também passou pelo ICEP - Portugal, Comércio e Turismo, como diretor da Unidade de Incentivos Financeiros (fevereiro de 2004 a outubro de 2005).

De regresso ao IAPMEI, foi diretor da Unidade de Incentivo às Empresas (outubro de 2005 a maio de 2007), da Direção de Gestão de Incentivos e Créditos (maio 2007 a março de 2015), da Direção de Investimento para a Inovação e Competitividade (março 2015 a junho de 2021) e agora da Direção de Capacitação Empresarial (desde junho de 2021).

Pedro Cilínio também participou em órgãos sociais de diversas participadas do IAPMEI. Designadamente, foi vogal do conselho fiscal da PME – Capital, SA, vice-presidente do conselho de administração do CEDINTEC - Centro para o Desenvolvimento e Inovação Tecnológica. Desde 2019, era vogal do conselho de administração do Centro Tecnológico da Cortiça.

AR perde presidente da subcomissão dos fundos europeus


Para novo secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, o ministro da Economia, António Costa Silva, foi recrutar outro perito em fundos europeus: Nuno Fazenda, o deputado eleito pelo PS pelo distrito de Castelo Branco, que vinha presidindo à subcomissão parlamentar para o acompanhamento dos fundos europeus e do PRR.

Nuno Fazenda nasceu na Covilhã, em 1976. Do currículo governamental, consta um doutoramento pelo Instituto Superior Técnico em Planeamento Regional e Urbano, um mestrado pela Universidade de Aveiro em Gestão e Políticas Ambientais e uma licenciatura em Turismo pela Universidade do Algarve.

Entre 2001 e 2014, Nuno Fazenda trabalhou na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Norte. Neste âmbito, foi perito-coordenador da Agenda Regional de Turismo – Plano de Ação para o Desenvolvimento do Turismo na Região do Norte e coordenador do Plano de Desenvolvimento Turístico do Vale do Douro.

De 2014 a 2019, foi diretor do Departamento de Gestão de Programas Comunitários no Turismo de Portugal, tendo então sido responsável pelas áreas de desenvolvimento regional, de gestão de programas europeus e também pela coordenação da Estratégia Nacional de Turismo vigente – ‘Estratégia Turismo 2027’.

Nuno Fazenda foi deputado eleito pelo distrito de Castelo Branco na anterior XIV legislatura, tendo integrado a comissão parlamentar de economia, inovação, obras públicas e habitação, a comissão eventual para o acompanhamento da aplicação das medidas de resposta à pandemia da doença COVID-19 e do processo de recuperação económica e social e a comissão de ambiente, energia e ordenamento do território. Reeleito deputado para a atual legislatura, assumira as funções de presidente da subcomissão parlamentar para o acompanhamento dos fundos europeus e do PRR em junho de 2022.

Da lista de cargos exercidos, também constam os de vogal não executivo do Conselho Diretivo da Fundação Côa Parque e de perito internacional do Centro Mundial de Excelência dos Destinos. E o de professor da Universidade Católica Portuguesa na área do turismo há mais de uma década, nomeadamente em cursos conferentes de grau académico, bem como, na formação de executivos na Católica Lisbon School of Business & Economics.