Economia

ADSE. Um gigante com pés de barro

27 novembro 2022 18:05

Privados recusam preços fixados pelo subsistema e cortam nas convenções

antónio pedro ferreira

Instituto nunca teve tanta saúde financeira — acumula um saldo de cerca de mil milhões de euros — mas está a falhar na resposta aos beneficiários que enfrentam, cada vez mais, obstáculos para terem cuidados de saúde pelo regime convencionado com os prestadores privados

27 novembro 2022 18:05

A ADSE, subsistema de saúde dos funcionários do Estado, é um gigante. Para 2023 estão previstas receitas superiores a €772 milhões, mais 3,8% face aos quase €744 projetados para o final do ano, segundo o parecer do Conselho Geral e de Supervisão (CGS) sobre o orçamento do instituto para o próximo ano. Mais uma vez o organismo público de gestão participada — modelo jurídico que ganhou em 2017 — terá saldo positivo em 2022, na ordem dos €148 milhões, e são antecipados outros €61 milhões para 2023. Note-se que em 2021 o saldo de caixa da ADSE estava nos €934 milhões, o que significa que, caso as previsões do Conselho Diretivo se confirmem, no final do próximo ano serão cerca de €1100 milhões.

Se este valor lhe parece abstrato, note que todas as apólices de seguros de saúde privados, em 2021, ascenderam a cerca de €1034 milhões (dados da Associação Portuguesa de Seguros relativos a um universo de 3,3 milhões de clientes). Só a ADSE (existem ainda os subsistemas das forças de segurança e dos militares) movimenta receitas equivalentes a 68% do mercado privado de proteção na doença.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.