Economia

"Incentivos à poupança ajudam à contenção dos preços", diz Mário Centeno

Mário Centeno, governador do Banco de Portugal
Mário Centeno, governador do Banco de Portugal
FOTO TIAGO MIRANDA

Deve haver um esforço coletivo para reduzir a inflação e uma das formas é incentivar a poupança, afirma o governador do Banco de Portugal. Famílias e empresas devem adequar as suas poupanças, consumo e rendimentos à atual conjuntura

Mário Centeno sublinha que a poupança é o indicador revelador da forma como nos preparamos para o futuro. Da poupança depende também o investimento e a redução do endividamento, refere, alertando para o risco que a inflação tem sobre a economia.

Na apresentação do Relatório de Estabilidade Financeira de novembro, apresentado esta quarta-feira, o governador do Banco de Portugal disse que a inflação revelou-se mais duradoura do que era suposto e “quando a inflação se torna mais prolongada, mais a utilização das poupanças se torna crucial para fazer frente ao aumento dos preços”.

Daí Centeno dar muita importância “à alocação dos recursos” e ao facto de todos percebermos “que as nossas ações do dia-a-dia também provocam um contágio”, pelo que “devemos adequar a poupança, o consumo e os rendimentos à nova realidade, à atual conjuntura”.

Isto para concluir que "tudo o que os bancos possam fazer para contribuir para reforçar a poupança é um sinal positivo. Se houver incentivos adicionais à poupança, vão ajudar à contenção dos preços".

O governador do Banco de Portugal não disse de forma aberta que os bancos devem remunerar melhor os depósitos, mas fê-lo de forma indireta.

Mário Centeno quis também sublinhar que em Portugal um “dos grandes pilares” nesta equação de incerteza “é o facto de o mercado de trabalho estar em pleno emprego”. Outro factor positivo é o aumento da massa salarial em 10% face a 2021. O que ajuda ao embate, quer da escalada da inflação, quer da subida das taxas de juro nos créditos.

Quando questionado como devem os portugueses articular a necessidade de preservar as suas poupanças e o apelo do Governo para que as famílias, havendo necessidade, recorram às poupanças para pagar os créditos à habitação, Mário Centeno responde assim: “A economia é a ciência que estuda a melhor alocação possível dos recursos. Vive em tensão e às vezes até em contradição”.

E explica: “Não é natural pedir às pessoas que não consumam ou poupem mais, mas é da confluência entre estas duas contradições” em que se vive e perante as quais a economia em Portugal se está a confrontar. “Todos temos de ser cautelosos perante um fenómeno sobre o qual não sabemos a sua dimensão”, afirma Mário Centeno.

Durante a pandemia os portugueses reforçaram as suas poupanças, mas estas "vão perdendo a sua capacidade de resposta (num cenário consistente de inflação elevada) e, nessa perspetiva, a poupança e a sua redução coloca desafios e riscos à estabilidade financeira". Em conclusão, “as poupanças são uma almofada à inflação”.

Tem dúvidas, sugestões ou críticas? Envie-me um e-mail: IVicente@expresso.impresa.pt

Comentários

Assine e junte-se ao novo fórum de comentários

Conheça a opinião de outros assinantes do Expresso e as respostas dos nossos jornalistas. Exclusivo para assinantes

Já é Assinante?
Comprou o Expresso?Insira o código presente na Revista E para se juntar ao debate
+ Vistas