Economia

Governo admite risco de subida de preços com instalação de nómadas digitais em Lisboa e no Porto

4 novembro 2022 11:55

mário cruz/lusa

“Podemos ter um problema porque as pessoas vêm para Porto e Lisboa e os preços sobem”, disse a secretária de Estado do Turismo na Web Summit. Programa pode ser alterado para apoiar quem vai para o interior do país

4 novembro 2022 11:55

É possível que haja problemas “a curto prazo” por os nómadas digitais se focarem em Lisboa e Porto, disse a secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, esta sexta-feira, no último dia de Web Summit.

“Podemos ter um problema no curto prazo porque as pessoas vêm [principalmente] para o Porto e para Lisboa e os preços das casas estão a subir” afirmou a governante. Porém, sublinhou que o “Governo tem de criar políticas” para resolver este problema e apoiar as populações locais.

E não só. Rita Marques admitiu também que o programa de vistos “pode ser alterado” por forma a levar as pessoas para o interior do país. “Ainda temos parte do país por descobrir”, disse.

Antes de falar na Web Summit, Rita Marques tinha já admitido, à Rádio Renascença, que no futuro o programa pudesse ser condicionado a zonas com menos densidade populacional. “Este é um processo evolutivo, como sempre o Governo está sempre disponível para analisar e para verificar se pode sempre melhorar”, afirmou, em declarações à rádio.

Além destes desafios, Rita Marques notou que este visto pode ser bom para o país a nível demográfico - devido à população envelhecida - e para o regresso de portugueses que emigraram na anterior crise.

“Temos de atrair os portugueses que foram embora há uns anos. Estamos a vender o país para os estrangeiros mas também para os portugueses que estão a trabalhar para empresas internacionais que possam trabalhar a partir de Portugal”, notou.

A conferência de imprensa da secretária de Estado do Turismo centrou-se no novo programa de vistos com o objetivo de atrais nómadas digitais para o país. Segundo explicou a governante, “toda a gente pode candidatar-se a este visto”, desde que ganhe, pelo menos, cerca de 2800 euros por mês (quase quatro vezes mais que o valor do salário mínimo fixado pelo Governo para 2023 - 760 euros).

As atualizações à lei entraram em vigor no início desta semana.