Economia

Presidente da TAP diz que greve seria "um desastre" e "poria em risco os bons resultados" da empresa

2 novembro 2022 13:16

Christine Ourmières-Widener, CEO da TAP

ricardo lopes

Satisfeita com os resultados da TAP no terceiro trimestre, Christine Ourmières-Widener, defendeu que o plano seguido pela TAP "é bom e é certo" e está a produzir resultados melhores que os da concorrência

2 novembro 2022 13:16

A TAP teve um resultado líquido positivo de 111,3 milhões de euros no terceiro trimestre. Se irá ou não chegar ao lucro no final de 2022 a gestão não pode garantir, mas Gonçalo Pires, administrador financeiro, questionado sobre essa possibilidade, sublinhou que a companhia está a apresentar resultados melhores do que os planeados, nomeadamente ao nível das receitas.

“Uma greve seria um desastre para a TAP e para o país e para os contribuintes porque poria em risco todo o trabalho que foi feito e os bons resultados que apresentámos”, afirmou a presidente executiva da companhia, Chrisrine Ourmières-Widener, reagindo ao facto de os tripulantes terem em cima da mesa a hipótese de avançarem para uma greve.

O plano seguido pela TAP "é bom e é certo" e está a produzir resultados”, defendeu a presidente executiva da TAP, Christine Ourmières-Wiedener, afirmando que a indicação, neste momento, é que a procura vai manter-se elevada até ao final do ano. "Não vemos nenhuma inflexão da procura até ao final do ano", afirmou. E indicou: "o que será crítico para os próximos tempos é a satisfação dos clientes".

"Foi um trimestre recorde para a companhia. Estamos a fazer tudo para melhorar o nosso desempenho", afirmou a gestora. E acrescentou: "Estamos a recuperar mais rapidamente que os nossos concorrentes, isso foi visível no terceiro trimestre".

Gonçalo Pires da TAP avançou que a TAP está entre 12% a 13% abaixo da capacidade que tinha em 2019, altura em que tinha 105 aviões contra os 96 atuais. A companhia transportou 10 milhões de passageiros abaixo dos 13 milhões no período homólogo pré-pandemia.

Porém, as receitas, cresceram 7% por cento face aos valores de 2019. “Temos menos aviões, mas estão mais cheios e os preços são melhores. Estamos com melhores margens”, salientou Gonçalo Pires.O gestor salientou ainda:: "Estamos a conseguir cumprir o plano, mas a fazer melhor que o plano" A liquidez é de 775 milhões acima do que era esperado no plano de reestruturação, salientou.

Apesar da melhoria dos resultados, Gonçalo Pires diz que “infelizmente ainda não é suficiente”. A TAP, explicou, “cresceu muito e cresceu rápido” com a anterior administração, e “hoje está mais alavancada que os seus concorrentes”.

“A administração quer entregar uma TAP financeiramente sustentável e isso exige um trabalho de redução da dívida. Precisamos de tempo e de uma ‘performance’ positiva”, firou.
.


Pode haver margem para recompensar trabalhadores

“Comunicámos aos trabalhadores que seria mais fácil para esta administração dizer que não há mais cortes, mas temos um plano, um compromisso e um acordo de emergência”, afirmou a presidente. Admitiu, porém que se os resultados de 2023 forem "excelentes, estamos prontos para conversar com os nossos parceiros para ver se conseguimos recompensar os trabalhadores”. Lamentou ainda a pressão existe sobre os trabalhadores, a quem além dos cortes, estão sujeitos a dificuldades, nomeadamente as provocadas pela inflação.


“É importante que fique claro que não é porque não o queremos fazer [recompensar os trabalhadores], mas ainda é muito cedo. Existem coisas que não controlamos”, vincou.


A polémica dos BMW e o recuo

Sobre a polémica dos BMW, Christine Ourmières-Widener, reconhece que recuou perante a pressão "horrível" da opinião pública. "Adiamos uma solução que era a melhor economicamente"para a TAP. "Temos de aprender a vender melhor as nossas decisões", gracejou a presidente da transportadora.

"A opinião pública não estava favorável [à decisão]Decidimos suspendê-la e analisá-la", disse, sublinhando que o assunto haverá de ser retomado.
Administração da TAP decidiu renovar a frota de automóveis para a gestão executiva e diretores, substituindo os Peugeot, por BMW. Seria 79 automóveis. Mas a decisão foi duramente criticada e a TAP recuar, dizendo porém que "o negócio iria permitir poupar 630 mil euros por ano. Desconhece-se quanto terá de pagar de indemnização à BMW.