Economia

Londres paga o dobro em emissão de dívida a 30 anos. Mesmo depois de Liz Truss pedir desculpa

Primeira-ministra britânica, Liz Truss
Primeira-ministra britânica, Liz Truss
Carlos Jasso / EPA

O Tesouro britânico pagou esta terça-feira um juro de 4,04% numa emissão de obrigações a 30 anos. Na emissão anterior tinha pago 2,36%.

O Reino Unido voltou esta terça-feira ao mercado para uma emissão de muito longo prazo, depois da revolta dos investidores contra o choque fiscal de Liz Truss anunciado a 23 de setembro. O Tesouro colocou esta terça-feira 2,5 mil milhões de libras (2,9 mil milhões de euros) em obrigações a vencer em 2051. Pagou 4,04%, quase o dobro da taxa de remuneração de 2,36% registada na emissão similar anterior, a 9 de agosto.

Apesar de o novo ministro das Finanças, Jeremy Hunt, ter desativado na segunda-feira o pacote fiscal e de a própria primeira-ministra, Liz Truss, ter pedido desculpa por ter pretendido “ir demasiado longe demasiado depressa”, os investidores exigiram uma taxa de remuneração mais elevada do que antes da tomada de posse de Truss.

A operação de colocação realizou-se depois do Banco de Inglaterra (BoE) ter atuado de emergência lançando uma operação extraordinária de compra de obrigações de longo prazo que fechou na sexta-feira passada, adquirindo quase 20 mil milhões de libras (23 mil milhões de euros) em títulos no mercado debelando a crise entre os fundos de pensões e no mercado cambial e da dívida. O montante de compras ficou em 30% do envelope de 65 mil milhões de libras (75 mil milhões de euros) previsto para os leilões do BoE desde 28 de setembro.

A crise cambial provocada pelo anúncio do choque fiscal pelo então ministro das Finanças do governo de Truss provocou a queda da libra para um mínimo histórico de quase paridade com o dólar. Depois desse mínimo em 1,0838 dólares a 23 de setembro, e depois de um segundo dia de quebra e dos recuos políticos do governo de Truss, a libra acabou por apreciar-se 4% face ao mínimo. Atualmente, o câmbio está em 1,13 dólares.

O BoE volta a reunir para decidir a taxa diretora a 3 de novembro. Os analistas dividem-se entre uma subida mais suave de 75 pontos-base (três quartos de ponto percentual) e uma ação histórica de 100 pontos-base (1 ponto percentual). A taxa diretora atual está em 2,25%, depois de sete subidas desde dezembro de 2021. Neste ciclo de aumentos da taxa diretora, o BoE não ultrapassou os 50 pontos-base (meio ponto percentual) em cada decisão.

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