Economia

Conselho das Finanças Públicas: economia portuguesa cresce 6,7% este ano, mas abranda para 1,2% em 2023

22 setembro 2022 15:00

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rui duarte silva

O Conselho das Finanças Públicas reviu em forte alta o cenário de crescimento para a economia portuguesa este ano. Já a projeção para 2023 foi revista em baixa. Instituição espera que a inflação se mantenha elevada em 2023

22 setembro 2022 15:00

Numa conjuntura de “elevada incerteza” - agravada pelos sucessivos cortes de fornecimento de gás russo à Europa - o Conselho das Finanças Públicas (CFP) atualizou as suas projeções para a economia portuguesa, trazendo boas notícias sobre o crescimento em 2022, mas más para 2023.

No relatório de atualização das “Perspetivas Económicas e Orçamentais 2022-2026”, apresentado esta quinta-feira, a instituição revê em alta o cenário de crescimento para este ano, antecipando uma aceleração no ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em termos reais para 6,7%, valor que compara com 4,9% em 2021.

Este valor fica 1,9 pontos percentuais acima da anterior projeção do CFP, apresentada em março. Uma revisão “suportada, em larga medida, pelo forte desempenho, no primeiro semestre, das exportações de serviços e do consumo privado, beneficiando de um quadro de poupança ainda acima da média histórica”, lê-se no relatório.

Além disso, é muito superior à previsão de um crescimento de 4,9% este ano, inscrita pelo Governo em abril, no cenário macroeconómico do Orçamento do Estado para 2022.

Só que, para 2023, a instituição presidida por Nazaré da Costa Cabral espera um “abrandamento expressivo”, com a expansão do PIB a ficar pelos 1,2%.

Este número representa uma revisão em baixa de 1,6 pontos percentuais face ao cenário traçado em março.

A explicação está na “persistência das pressões inflacionistas – em resultado do prolongamento do conflito militar entre a Ucrânia e a Federação Russa e da manutenção de restrições do lado da oferta -”, bem como no “abrandamento da procura externa”. Um terceiro fator destacado pelo CFP é “o agravamento das condições de financiamento da economia nos próximos anos”, num contexto marcado pelo endurecimento da política monetária do Banco Central Europeu (BCE) para travar a inflação.

Para os anos seguintes, e num cenário de políticas invariantes - não são consideradas nenhumas medidas de política que não tenham sido já decididas, e são excluídas do cenário medidas agora em vigor, decididas para o ano corrente, e cujo enquadramento prevê a sua caducidade no fim do ano - “o crescimento do PIB real deverá recuperar para 2% em 2024 e estabilizar em torno e 1,8% no médio prazo”, aponta a instituição.

Inflação acima dos 5% em 2023

A persistência das pressões inflacionistas no próximo ano é um dos pontos em destaque no novo cenário macroeconómico do CFP. A instituição espera que a inflação em Portugal, medida pelo Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC), atinja 7,7% em termos de média anual em 2022.

Para os anos seguintes, antecipa um abrandamento da inflação, mas mantendo-se ainda elevada em 2023. De facto, o CFP espera uma taxa de inflação de 5,1% no próximo ano, valor que é mais do dobro dos 2% que servem de referência ao BCE para a estabilidade dos preços.

No médio prazo, as projeções apontam para uma taxa de inflação de 1,9%, “em linha com o gradual desvanecimento das pressões inflacionistas e progressiva normalização da oferta”, escreve a instituição.

Mercado de trabalho resiste

Apesar do abrandamento da taxa de crescimento do PIB e a persistência de uma inflação elevada em 2023, o CFP antecipa que o mercado de trabalho continue a resistir à degradação da conjuntura. Aliás, aponta para uma descida da taxa de desemprego.

Segundo as projeções da instituição, a taxa de desemprego deverá baixar para 5,6% da população ativa este ano (6,6% em 2021).

Mais ainda, para 2023 o CFP antecipa nova redução da taxa de desemprego, para os 5,3%, baixando para 5% até 2026.

“No médio prazo, a evolução do emprego encontrar-se-á condicionada sobretudo pela evolução demográfica, pelo que se antecipa uma desaceleração deste indicador para valores próximos de zero e uma estabilização da taxa de desemprego em torno de 5,1%”, aponta o relatório.