Economia

Portugal é o país europeu que menos mulheres chama às administrações bancárias (e Novo Banco insiste nisso na nova equipa)

20 setembro 2022 11:59

Luísa Soares da Silva, administradora executiva do Novo Banco

nuno botelho

Análise da DBRS a 43 bancos europeus deixa Portugal na pior posição no que diz respeito à presença feminina em conselhos de administração

20 setembro 2022 11:59

O Novo Banco acabou de propor ao Banco Central Europeu (BCE) a nova composição no seu Conselho Geral e de Supervisão, o órgão que acompanha e fiscaliza o trabalho da liderança executiva, em que constam dez nomes, apenas dois deles femininos. É, mesmo assim, uma melhoria, face à anterior estrutura, que contava apenas com um elemento em dez membros (10%).

Na equipa executiva, recentemente aprovada pelo Banco Central Europeu (BCE), a percentagem sobe ligeiramente para 14%: sete membros e apenas uma gestora, Luísa Soares da Silva (na foto).

O Novo Banco é um dos três bancos portugueses, a par da Caixa Geral de Depósitos e do Banco Comercial Português, entre os 43 europeus utilizados pela agência americana DBRS num estudo publicado esta terça-feira, 20 de setembro, sobre "diversidade de género nos conselhos de administração dos bancos europeus”. Foram analisadas entidades de 13 países europeus.

“Notamos que, em média, em 2021, usando a amostra de 43 bancos europeus, as mulheres ocupam apenas 37% dos assentos nas administrações, um número que desce para 26% quando se considera a presença feminina nas equipas de gestão. A representação feminina no cargo de presidente executiva é ainda mais baixa: apenas cinco dos 43 bancos europeus tinham CEO mulheres”, isto é, 12%, assinala a nota da agência de notação financeira canadiana.

Dados da supervisão financeira do ano passado já mostravam que as mulheres ocupam um quarto das equipas executivas (25%) e um terço (33%) das administrações.

Portugal com 23% de média

Em Portugal, nenhum dos bancos – nem outros com posição de relevo no país – conta com uma CEO. A CGD tem desde o fim do ano passado oito membros da comissão executiva, três dos quais são mulheres (38%), sendo que alargando para o conselho de administração, em que se encontram membros sem funções executivas, são 17 elementos e seis mulheres (35%), em linha com a média calculada pela DBRS.

O BCP mudou de equipa este ano, em que reforçou a presença feminina, sendo que a administração em funções no fim de 2021 tinha 23,5% dos membros do género feminino.

No Novo Banco, como referido, as percentagens são bem inferiores - mas o BCE tem aprovado estas composições sem paridade de género, sendo que terá agora de pronunciar-se sobre o novo Conselho Geral e de Supervisão.

“Os países nórdicos estão na liderança da lista, com as maiores representações femininas na Dinamarca, com 55%, seguida da Noruega, com 50%, e da Suécia, com 48%, ao passo que a Alemanha e Portugal apresentam a representação feminina nas administrações mais reduzida, de 29% e 23%, respetivamente”, segundo a DBRS.

Há várias quotas, inclusive em Portugal, para empresas cotadas, mas muitas vezes não são respeitadas; até são os próximos supervisores, selecionados pelo Governo, que estão em incumprimento das próprias regras que lhes são exigidas: só agora com os nomes propostos pelo Ministério das Finanças é que o Banco de Portugal e a CMVM vão passar a cumprir a representação mínima do género sub-representado (que é quase sempre o feminino), já que atualmente nenhum deles cumpre: o supervisor bancário tem apenas uma administradora em cinco; não há nenhuma mulher na cúpula da CMVM agora em funções.

Poucas CEO

Havendo poucas mulheres nas administrações, acaba também por não haver liderança no feminino: “é de sublinhar que se as quotas de género parecem ter feito a diferença, é preciso agir mais para que a paridade de género chegue às presidências”, escreve a agência. DNB, Handelsbanken, NatWest, Nationwide e o Bank of Ireland são os bancos que têm mulheres na presidência executiva.

A DBRS adianta ainda que uma mais forte presença feminina nas administrações bancárias costuma corresponder a bancos com avaliações de rating mais elevadas. Há algumas razões para isso, na ótica da entidade, já que há investigação “indica que a representação feminina mais elevada nas administrações reduz a frequência de coimas por condutas irregulares e melhora a cultura de trabalho”. Também permite uma variedade de abordagens e experiências, acrescenta.