Economia

Número de desempregados inscritos nos centros de emprego inverte tendência e volta a aumentar em agosto

20 setembro 2022 15:48

marcos borga

O desemprego registado aumentou 1,9% em agosto, face ao mês anterior, para 282.847 desempregados registados nos centros do IEFP

20 setembro 2022 15:48

É um dos indicadores a que os economistas estão atentos no atual contexto. Vários têm sinalizado que o “estado de graça” que Portugal vive em matéria de emprego, com o número de desempregados em mínimos desde pelo menos 2003, pode não se prolongar por muito mais tempo. Com as empresas a acusar a pressão da crise energética e do aumento de custos de produção, o indicador do desemprego registado - medido pelo número de inscritos nos centros de emprego - deu em agosto um primeiro sinal de alerta.

Depois de vários meses em queda, o número de desempregados registados nos serviços públicos de emprego aumentou 1,9% em agosto, mês em que o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) contabilizou mais 5381 inscritos face a julho.

Na variação homóloga, o número de desempregados continua 23,2% (-85.557 inscritos) abaixo do registado no mês homólogo de 2021, mas os números conhecidos esta terça-feira não deixam de criar alguma expectativa quanto à sua evolução e ao impacto da atual crise no mercado de trabalho.

A nível regional, no mês de agosto, o desemprego registado, em termos homólogos, ou seja, considerando o mesmo mês do ano passado, diminuiu em todas as regiões, com particular destaque para o Algarve e a Madeira, onde o número de inscritos nos serviços públicos de emprego locais ficou, respetivamente, 50,3% e 40,8% abaixo do verificado há um ano.

Já no que diz respeito à evolução em cadeia (tendo como referência julho deste ano), o cenário é distinto. O país dividiu-se entre decréscimos e acréscimos no desemprego, com a região Centro a responder pelo maior aumento, no número de desempregados inscritos, mais 4,6% do que no mês anterior.

Segundo a síntese estatística do IEFP, “para a diminuição do desemprego registado, face ao mês homólogo de 2021, na variação absoluta, contribuíram, com destaque, os grupos dos indivíduos que procuram novo emprego (-80.228), os que possuem idade igual ou superior a 25 anos (-75.428) e os inscritos há 12 meses ou mais (-40.061)”.

Considerando os grupos profissionais dos desempregados registados no Continente, destaca o IEFP, os mais representativos, por ordem decrescente, eram os “Trabalhadores não qualificados“ (26%); “Trabalhadores dos serviços pessoais, de proteção segurança e vendedores” (19,8%); "Especialistas das atividades intelectuais e científicas"(11,9%) e "Pessoal administrativo"(11,6%).

Bolsa de ofertas por preencher recua

As ofertas de emprego por satisfazer nos serviços públicos de emprego totalizavam, no final de agosto de 2022, 21.294. O número representa uma diminuição anual de 11,9% (-2865 ofertas) e de 0,6% (-126) face ao mês anterior, e espelha também uma maior contenção das empresas na contratação. Algo que os economistas do trabalho e os vários indicadores económicos que têm sido divulgados admitem que pode agravar-se. É que, segundo a síntese do IEFP conhecida esta terça-feira, “as ofertas de emprego recebidas ao longo deste mês totalizaram 10328 em todo o país, número inferior ao do mês homólogo de 2021 (-720; -6,5%) e face ao mês anterior(-424; -3,9%)”.

Ao longo deste mês de agosto de 2022, inscreveram-se, nos serviços de emprego de todo o país, 37.121 desempregados, mais 1,9% (+684 pessoas) do que em agosto de 2021 e 0,9% (+340) do que em julho deste ano.

Já as colocações realizadas durante o mês de agosto, totalizaram 6352 em todo o país. Um aumento tímido de 0,1% (mais nove colocações) face 2021, mas um recuo significativo face ao registado em julho deste ano: -4,2% (-281 colocações).

No balanço de agosto, merece ainda destaque o facto de quase metade (46,1%) dos 282.847 desempregados registados nos centros de emprego se encontrarem inscritos há mais de um ano.