Economia

Fosun nega que reguladores tenham pedido aos bancos que analisem exposição ao grupo

14 setembro 2022 9:49

Guo Guangchang, co-fundador da Fosun.

luís barra

A Fosun, acionista do BCP e dona da Fidelidade, qualificou como um “absurdo puro” a notícia da agência Bloomberg segundo a qual os reguladores chineses pediram a vários bancos para analisar os riscos da sua exposição à Fosun

14 setembro 2022 9:49

O grupo Fosun, que detém várias empresas em Portugal, negou esta quarta-feira a informação avançada pela Bloomberg de que os reguladores chineses pediram aos bancos do país que analisem os riscos da exposição à dívida da empresa.

A Fosun disse, em comunicado, que a notícia da agência Bloomberg é um “absurdo puro” e que tentou confirmar aquela informação junto dos reguladores através de vários canais.

“A Comissão Reguladora de Bancos e Seguros da China (CBIRC) não questionou os bancos sobre a sua exposição financeira à Fosun e os muitos bancos que cooperam com a Fosun não receberam tal notificação”, assegurou a empresa.

Com base em fontes não identificadas, a agência Bloomberg avançou na terça-feira que as autoridades chinesas, incluindo o órgão de fiscalização bancária, pediram aos grandes bancos e empresas estatais que analisem de perto a sua exposição financeira à Fosun.

As ações da principal empresa do grupo, a Fosun International Limited, caíram hoje 9,6%, na Bolsa de Valores de Hong Kong, para o nível mais baixo desde novembro de 2012.

O escrutínio sobre a Fosun aumentou depois de o grupo se ter desfeito do equivalente a dois mil milhões de euros em ativos este ano, para reforçar a liquidez, sugerindo crescente pressão no mercado obrigacionista.

As vendas comunicadas à bolsa de valores de Hong Kong, onde o grupo está cotado, são o culminar de uma década de expansão agressiva além-fronteiras, que incluiu a compra, em Portugal, da seguradora Fidelidade, uma participação de quase 30% no banco Millennium BCP ou mais de 5% da REN - Redes Energéticas Nacionais, através da Fidelidade.

O conglomerado soma agora uma dívida de 40 mil milhões de dólares (mais de 38 mil milhões de euros), mas a emissão de títulos tornou-se mais cara, após várias empresas chinesas terem entrado em incumprimento, incluindo a Evergrande, a segunda maior construtora da China.

Em comunicado, a empresa disse que a atenção sobre a empresa aumentou devido à venda de participações e um “ambiente externo complexo”, resultando numa “interpretação unilateral”.

“As recentes reduções e venda [de participações], aparentemente frequentes, da Fosun, são uma continuação da sua estratégia financeira dos últimos anos de manter um equilíbrio entre investimentos e vendas”, argumentou.

A venda de ativos pela empresa este ano ultrapassou já os dois mil milhões de dólares, em comparação com 85 milhões de dólares (81,5 milhões de euros), em 2021, segundo dados da Dealogic, fornecedora global de conteúdo e análise para o setor financeiro.

Em março, o conglomerado chegou a acordo para vender a sua divisão de moda, Lanvin Group, através de uma entrada na Bolsa de Valores de Nova Iorque, mediante uma empresa de aquisições para fins específicos (SPAC, na sigla em inglês). No mês seguinte, a empresa acordou a venda da seguradora norte-americana AmeriTrust Group Inc à Accident Fund Insurance Company of America, subsidiária integral do AF Group, com sede nos Estados Unidos.

Entre os ativos vendidos este ano pelo grupo constam ainda uma posição no valor de 500 milhões de euros na Tsingtao Brewery, a principal marca de cervejas da China, 5% do grupo chinês Taihe Technology, no valor de 43 milhões de euros, ou 6% do capital da empresa Zhongshan, por 100 milhões de euros, de acordo com a cotação atual no mercado.

Segundo a Bloomberg, a Fosun tem que pagar cerca de oito mil milhões de dólares em títulos de dívida até 2023.

No mês passado, a agência de notação financeira Moody’s baixou o rating da Fosun, apontando a fraca liquidez e um portefólio enfraquecido pela venda de ativos.