Economia

Medina dá nega a Pedro Nuno sobre apoios à subida dos juros: "A colocar-se a questão não é compatível com ação isolada de um só Estado"

9 setembro 2022 14:46

Susana Frexes

Susana Frexes

correspondente em Bruxelas

nuno fox

O ministro das Finanças fecha para já a porta a medidas nacionais para fazer face à subida das taxas de juro do crédito à habitação, contrariando o ministro das infraestruturas que mostrou disponibilidade do Governo para estudar esse tipo de medidas

9 setembro 2022 14:46

Susana Frexes

Susana Frexes

correspondente em Bruxelas

Com as taxas de juro a subir e o aviso do Banco Central Europeu de que ainda vão subir mais, aumenta a dor de cabeça para quem tem crédito à habitação. Um problema, que segundo o ministro Pedro Nuno Santos não seria "ignorado" pelo Governo. Ainda na terça-feira, o ministro das infraestruturas e da habitação dizia que o executivo estava “a pensar medidas que possam depender apenas do Estado português”.

Mas esta sexta-feira o ministro das Finanças preferiu não se comprometer com medidas. Fernando Medina entende que a melhor ajuda que o governo pode dar às famílias é manter as "contas certas".

"Isto é, termos um défice que não derrapa, porque é precisamente isso que permite ao país melhorar o seu rating, como já aconteceu no passado", afirmou à imprensa portuguesa em Praga, na República Checa, argumentando que "é a partir da contenção dos juros da República Portuguesa que depois decorre o juros que os bancos portugueses se financiam, que as empresas portuguesas se financiam e que as famílias se financiam".

Medida afasta para já medidas nacionais. E, se as houver, diz, terão de ser tomadas a nível europeu, como aconteceu com as moratórias durante a pandemia. "A colocar-se a questão não é compatível com essa ação isolada, nem com a ação isolada das finanças públicas de um só Estado".

Também Pedro Nuno Santos, tinha admitido na terça-feira que "há medidas que só podem ser tomadas no quadro europeu", como é o caso das moratórias, adiantando, no entanto estar preparado para estudar medidas nacionais.

Apesar da posição mais conservadora do ministro das Finanças, dentro do PS começam também a ouvir-se vozes na defesa de medidas que ajudem as famílias que veem subir em flecha as prestações da casa.

À Renascença, o deputado Carlos Pereira, vice-presidente da bancada socialista, defende o recurso a moratórias. "Foram articuladas no quadro europeu e qualquer decisão desta natureza exige isso mesmo para garantirmos o equilíbrio no sistema financeiro. Isso é muito importante. Nós não temos a capacidade de pôr políticas domésticas tratar já desse assunto", afirma.

Segundo Carlos Pereira, citado pela Renascença, o Governo está, inclusive, a defender a medida a nível europeu. No entanto, em Praga, onde participa na reunião de Ministros das Finanças, Fernando Medina falou da questão das moratórias como hipotética.