Economia

Novo resort da Vila Galé em Maceió leva operadores turísticos portugueses a reforçarem ‘charters’ para o Brasil

6 setembro 2022 17:01

A Vila Galé investiu cerca de €30 milhões (150 milhões de reais) num resort no estado de Alagoas, o seu 10º hotel no Brasil, onde garante que irá continuar a investir apesar da incógnita que se vive no país em vésperas de eleições

d.r.

Para pacotes de viagens de uma semana na passagem do ano, a preços desde €1800 por pessoa, foram fretados cinco aviões à margem dos voos regulares da TAP

6 setembro 2022 17:01

Os operadores turísticos portugueses voltaram a juntar-se para organizarem voos ‘charter’ destinados a pacotes de férias para a passagem de ano de 2022 para 2023 no nordeste do Brasil, desta vez com um novo destino nos seus programas - Maceió - onde a Vila Galé inaugurou um novo resort.

A procura foi tanta que já levou os operadores turísticos a reforçarem a operação de fim de ano com mais um voo para Maceió. A oferta de programas de férias para o ‘revéillon’ a partir de Portugal passa assim a totalizar cinco voos ‘charter’, envolvendo globalmente cerca de 1100 lugares, com partidas a 26, 27 ou 28 de dezembro, em viagens de uma semana..

“Vamos apostar forte em Maceió este ano, e a abertura do resort da Vila Galé fez reforçar a oferta para uma das melhores praias do Brasil”, salienta Nuno Mateus, diretor-geral da Solférias, que juntamente com os operadores Sonhando e Exótico está a preparar três voos ‘charter’ no final do ano: Porto-Maceió, Lisboa-Maceió-Salvador, e Porto-Salvador, com 260 lugares cada.

“Desde o final do ano passado, as vendas para o Brasil têm crescido exponencialmente”, garante o responsável da Solférias, constatando que “o Brasil volta novamente a estar no 'mindset' dos portugueses”.

Este verão, a venda de viagens para o Brasil “tem corrido muito bem”, com base em voos da TAP, não se justificando, segundo os operadores, lançar ‘charters’ neste período.

“A TAP está com mais de 60 voos semanais para o Brasil, e as vendas no verão têm corrido muito bem, como se trata de um destino multi-combinado pela sua diversidade um ‘charter’ acabaria por ser limitativo”, nota Miguel Ferreira, diretor-geral do operador Exótico Online, que tem lugares garantidos em voos da TAP para Fortaleza, Natal, Recife, Maceió, Salvador e Rio de Janeiro.

“Nota-se que as pessoas voltaram a querer viajar e a procura para o Brasil tem estado muito boa, perto dos níveis de 2019, mesmo com o agravamento de 21% do dólar face ao euro desde fevereiro, o aumento do combustível nem tem sido a parte pior”, constata Miguel Ferreira.

As viagens de verão para o Brasil vendidas pelo operador turístico com base em voos da TAP envolvem em média sete a dez noites, a preços que vão desde 1200 euros "e podem ir até 8 mil ou 9 mil euros, dependendo do tipo de alojamento ou de programa escolhido".

Para o fim do ano, onde a Exótico está a organizar 'charters' para o Brasil, em parceria com os operadores Solférias e Sonhando, "a pressão da procura foi tanta que nos levou a reforçar a operação com um segundo voo para Maceió, pois o primeiro ficou cheio em três semanas", destaca o diretor-geral, lembrando que "toda a gente quer embarcar a 26 ou 27 de dezembro para usufruir de praia".

"Quem quer viajar ao Brasil já sabe que ou reserva rápido ou não terá mais lugar", concorda Nuno Mateus, da Solférias.

“As viagens de fim do ano no Brasil não são um produto barato”

Já a Soltrópico, que juntamente com a Abreu está a organizar voos 'charter' para o Brasil no período da passagem do ano, a aposta centra-se em Salvador, "para não colidir com o produto de Maceió" dos outros operadores, "e criar mais abrangência de oferta no mercado", conforme explica o diretor-geral, Gonçalo Palma.

"No revéillon estamos com uma grande aposta no Brasil, temos dois aviões 'charter' completos, com 186 lugares cada", frisa o responsável da Soltrópico, lembrando que "o destino Brasil caiu muito durante a pandemia, devido às restrições, e não se organizavam 'charters' há algum tempo".

A Soltrópico e a Abreu preparam dois voos 'charter' de Lisboa a Salvador, a 27 e 28 de dezembro, como base de pacotes de férias de uma semana que podem ir desde 1800 euros por pessoa a 3 mil ou 4 mil euros, dada a "diversidade da oferta". Grande parte da capacidade já se encontra vendida, mesmo com o atual aumento de preços.

"Os programas de fim de ano no Brasil não são um produto barato, e os preços têm subido de ano a ano", faz notar Gonçalo Palma.

"Deixámos de ter operação 'charter' para o Brasil desde a Páscoa de 2017, porque era um destino que não tinha capacidade de camas, relançámos a operação por conta da abertura dos resorts Vila Galé, que assentam que nem uma luva no mercado nacional, onde os clientes querem hotéis com tudo incluído", salienta Miguel Ferreira da Exótico.

Os 'charters' para o Brasil foram retomados pelos operadores no fim de ano de 2021, ainda em pleno período de restrições de covid, aproveitando as capacidades do recente resort inaugurado pela Vila Galé em Touros, no estado do Rio Grande do Norte (perto de Natal), e também dos resorts Vila Galé Cumbuco no estado do Ceará, ou do Vila Galé Marés na Bahia, que neste último caso é assistido pelo aeroporto de Salvador.

"Tendo hotéis com esta capacidade de camas, é mais fácil de contratar, o problema do Brasil é que tinha unidades pequenas para este tipo de operação", nota Fernando Bandrés, diretor comercial do operador Sonhando, referindo que o modelo com tudo incluído "não havia muito na hotelaria brasileira, foi trazido por cadeias portuguesas e espanholas", sendo um fator-chave para programas onde os clientes são maioritariamente famílias com crianças".

TAP no Brasil a 86% da capacidade face ao pré-covid

Em períodos de pico, como tipicamente o fim do ano, os operadores turísticos nacionais têm reunido esforços para fretar em conjunto voos especiais à margem das rotas regulares (os chamados 'charters') para destinos como o Brasil, de forma a montarem pacotes de férias integrando também alojamento ou outras ofertas, a preços que resultam mais económicos, que são vendidos nas suas redes de agências de viagens.

"Juntamo-nos para fretar aviões em conjunto. Na hora de contratar somos parceiros, e na hora de vender somos concorrentes", explicita o diretor comercial da Sonhando.

"As vendas para o Brasil estão a correr muito bem, e não só para o 'revéillon', estão quase aos níveis pré-pandemia", assegura Fernando Bandrés. Este verão, o destaque vai para as viagens para Costa do Sauípe, Salvador ou Natal, em programas de numa semana assentes em voos regulares da TAP. "Os portugueses quando viajam gostam de fazer praia", nota. Os preços vão desde 1200 euros "fora do pico do Natal e réveillon" e variam muito "pois tentamos ter pacotes diversificados".

Nos 'charters' que se preparam para o Brasil no final do ano, o responsável da Sonhando (que fretou voos em conjunto com a Solférias e a Exótico) fala claramente de um sucesso de vendas. "Como os dois primeiros voos estão praticamente cheios, tivemos de lançar um terceiro", salienta Fernando Bandrés, frisando que "as famílias tinham poupanças, já que estiveram dois anos encerradas em casa".

"Ter cinco aviões charter de Portugal para o Brasil é muito bom", conclui Nuno Mateus, diretor-geral da Solférias. Na perspetiva de Miguel Ferreira, diretor-geral da Exótico, "a continuar assim, os próximos tempos avizinham-se bons para a operação de viagens".

Os resorts do grupo português Vila Galé no Brasil com tudo incluido estão a dar gás à retoma das operações 'charter' para montar pacotes de férias por parte dos operadores nacionais. A Vila Galé inaugurou a 27 de agosto um resort com 513 quartos em Maceió, no estado de Alagoas, em frente à extensa praia do Carro Quebrado - e que representa a sua 10ª unidade hoteleira no Brasil, onde garante que irá continuar a investir, apesar do ambiente de incógnita política que se vive no país, em vésperas de eleições.

"Somos hoje a principal rede de resorts no Brasil, onde conseguimos democratizar este tipo de oferta hoteleira, que era caríssima", frisou Jorge Rebelo de Almeida, presidente do grupo Vila Galé, durante a inauguração do resort em Maceió.

O presidente da Vila Galé destacou na ocasião que o Brasil precisa de mais turistas estrangeiros, e que mesmo para os visitantes nacionais a oferta de transporte aéreo é "de preço alto e de qualidade baixa". Jorge Rebelo de Almeida defendeu que o Brasil "não pode estar dependente da TAP" para voos internacionais, e que a nível de voos internos deve negociar a entrada de companhias 'low cost' da Europa, como a Easyjet ou a Ryanair.

Segundo a TAP, foram transportados para o Brasil mais de 640 mil passageiros em 3.129 voos da companhia portuguesa no primeiro semestre de 2022, o que representa um aumento de 526% em relação a igual período do ano passado, mantendo a transportadora a liderança nas ligações aéreas entre este país e a Europa.

No Brasil, a TAP adianta já estar a 86% da capacidade relativamente ao período pré-pandemia, tendo este verão operado 76 voos semanais entre Portugal e o Brasil, com ligações para 11 cidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Belém, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Natal, Maceió, Porto Alegre, Recife e Salvador.