Economia

Preços da energia no Reino Unido quase duplicam com crise já a causar instabilidade

26 agosto 2022 7:38

Foto: Getty Images

O preço máximo da energia no Reino Unido vai ser atualizado esta sexta-feira pelo regulador de energia, para quase o dobro, numa época de crise social

26 agosto 2022 7:38

O preço máximo da energia (eletricidade e gás) no Reino Unido vai ser atualizado esta sexta-feira, 26 de agosto, pelo regulador de energia, para quase o dobro, numa altura em que a crise de preços já causa instabilidade social e política, com greves em vários setores.

O novo valor do Ofgem (Office of Gas and Electricity Markets) para o 'teto' de preços [price cap], que entrará em vigor em 1 de outubro, vai ultrapassar as 3500 libras (4144 euros), segundo especialistas do mercado energético.

O Ofgem havia aumentado o valor 54% em abril, situando a despesa média anual em 1971 libras (2335 euros ao câmbio atual).

O preço máximo que as empresas de energia estão autorizadas a cobrar aos seus clientes é determinado de acordo com as variações dos preços nos mercados internacionais e outros custos.

A energia já é um dos principais fatores para a taxa recorde de inflação no Reino Unido, de 10,1%, que economistas do banco de investimento Citi e da Resolution Foundation estimaram poder chegar aos 18% em 2023.

É também uma das principais ameaças para o crescimento económico do país, que o Banco de Inglaterra antecipou que vai entrar numa “longa recessão”.

"A fonte destes riscos e o motor destas revisões das nossas previsões desde maio são, na sua esmagadora maioria, os preços da energia e as consequências das ações da Rússia", disse o governador, Andrew Bailey, no início deste mês.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, admitiu na quarta-feira, durante uma visita a Kiev, que os britânicos estão "a pagar nas contas de energia pelos horrores de Vladimir Putin”, mas vincou que "o povo da Ucrânia está a pagar com o seu sangue".

Os partidos Trabalhista e Liberais Democratas exortaram o Governo a congelar já os preços para impedir um agravamento da crise do aumento de custo de vida, que também está a pesar nos custos com alimentação e transportes.

Em maio, o governo anunciou um apoio de 400 libras (474 euros) por agregado familiar, o que reduzirá o impacto do aumento, além de apoios adicionais a famílias com rendimentos baixos, inválidos e reformados.

Porém, novas medidas terão de esperar pelo sucessor de Johnson, que só entrará em funções a 6 de setembro, e os dois candidatos divergem sobre como fazê-lo.

O antigo ministro das Finanças Rishi Sunak defende mais apoios direcionados aos mais vulneráveis, enquanto a ministra dos Negócios Estrangeiros, Liz Truss, promete um corte imediatos nos impostos.

Esta conjuntura está a contribuir para a instabilidade social, com greves sucessivas nos transportes, serviços judiciais, recolha do lixo e portos marítimos.

Os estivadores do porto de Felixstowe, por onde passa quase metade do tráfego de contentores do Reino Unido, estão em greve até segunda-feira, exigindo um aumento salarial superior aos 7% oferecidos pela empresa.

Na Escócia, o sindicato Unite considera insuficiente a proposta de aumento de 7% dos trabalhadores da recolha de lixo, cuja greve em curso deixou as ruas de Edimburgo e outros municípios cheias de caixotes de lixo a transbordar.

Entretanto, advogados que trabalham para o Ministério do Justiça para defender clientes sem recursos recusaram a oferta de aumento de 15% e anunciaram uma greve por tempo indeterminado, a começar a 5 de setembro, que poderá atrasar milhares de processos judiciais.