Economia

Apostas contra dívida italiana por grandes fundos atingem valor mais alto desde 2008

25 agosto 2022 9:45

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O valor total de obrigações soberanas de Itália que foram emprestadas a investidores para apostar contra o país nos mercados internacionais ascendeu, em agosto, a mais de 39 mil milhões de euros

25 agosto 2022 9:45

O valor total de obrigações soberanas de Itália que foram emprestadas a investidores para apostar contra o país nos mercados internacionais ascendeu, em agosto, a mais de 39 mil milhões de euros, segundo dados da S&P Global Market Intelligence citados pelo Financial Times esta quinta-feira, 25 de agosto, com os hedge funds a investirem forte numa degradação das condições financeiras do país.

Desde janeiro de 2008, na ano em que se desencadeou a grande crise financeira nos Estados Unidos, que não havia um montante tão elevado de posições curtas na dívida italiana.

Para apostar na queda dos preços de um determinado ativo (short selling), os investidores pedem emprestado um título com a promessa de o devolverem mais tarde. Vendem-no nos mercados ao preço corrente, esperando que o preço caia mais tarde. Se cair, recompram a um preço mais baixo e devolvem-no ao seu dono original, encaixando a diferença.

A rendibilidade da dívida italiana a 10 anos atingiu os 3,7%, o que fez com que o diferencial face à equivalente alemã disparasse de 1,37 pontos percentuais para os 2,3 pontos percentuais, refere o jornal.

A dívida alemã, tida como a mais segura na zona euro por se tratar do país mais solvente e motor económico da região, é usada como referência para comparações de risco entre países.

Itália, um país politicamente fragmentado, que viu o executivo do primeiro-ministro Mario Draghi cair depois de várias tentativas para segurá-lo no poder pelo Presidente da República italiano, está a preparar-se para uma eleição em setembro que poderá dar a liderança do governo a Giorgia Meloni, a líder de um partido de direita próximo de Moscovo.

O encarecimento dos preços da energia, numa altura em que a Rússia ameaça cortar o gás aos europeus, é um fator de pressão adicional na sustentabilidade das contas italianas, que pode resultar, no caso de o fornecimento se reduzir a zero, numa recessão acima dos 5% em Itália, segundo uma estimativa do Fundo Monetário Internacional citada pelo Financial Times.

A Itália tem atualmente 2,3 biliões de euros em dívida por vencer.