Economia

Presidente da TAP "cautelosamente otimista" face ao futuro. 990 milhões devem chegar até ao final do ano

23 agosto 2022 12:28

ricardo lopes

Christine Ourmières-Widener afirma que os resultados no primeiro semestre são melhores que o previsto no plano de reestruturação, mas admite que há muitas ameaças e incerteza no futuro, como os custos dos combustíveis, a variação cambial e a inflação

23 agosto 2022 12:28

Apesar de os resultados da TAP terem melhorado, uma vez que os prejuízos diminuíram no primeiro semestre deste ano de 493,1 milhões de euros para 202,1 milhões de euros, a presidente da TAP, Christine Ourmières-Widener, considera-se "cautelosamente otimista" em relação ao futuro, uma vez que há ainda muita incerteza e muitas ameaças a pairar sobre o sector. Não obstante, a gestora sublinhou, em conferência de imprensa esta terça-feira: "A recuperação das receitas e da rentabilidade está a ter um bom desempenho. E isso deixa-nos satisfeitos"..

A TAP espera receber até ao final deste ano os 990 milhões de euros que falta injetar de dinheiro público na companhia, ao abrigo do plano de reestruturação, assegurou a presidente da TAP. Mas a companhia só deverá voltar ao mercado em 2023, e este ano ainda terá prejuízo. O ministro das Infraestruturas; Pedro Nuno Santos, chegou a apontar para 54 milhões de euros de prejuízo, este ano, mas a gestora prefere não adiantar estimativas.

O administrador financeiro da TAP, Gonçalo Pires, esclareceu que a companhia deverá ir ao mercado apenas no segundo semestre de 2023, ou seja, já não será em 2022, ao contrário do que se chegou a admitir, que a transportadora irá levantar junto de investidores privados o empréstimo de 360 milhões de euros previsto no plano de reestruturação.

Às críticas e manifestações inéditas dos trabalhadores, nomeadamente pilotos, tripulantes e trabalhadores da manutenção, Christine Ourmières-Widener respondeu que uma gestão "só pode ser julgada pelos resultados que apresenta". "Eu penso que estamos a apresentar bons resultados, [...] espero que hoje não haja dúvidas que a gestão da TAP está a fazer um bom trabalho", defendeu. E admitiu que a negociação dos acordos de empresa é um dos grandes desafios que tem pela frente. Vincou mais uma vez que não tem condições para repor as condições que os trabalhadores tinham em 2019, pré-covid, uma vez que tem um compromisso com Bruxelas que tem de cumprir.

Impossível reverter cortes


Christine Ourmières-Widener sublinhou que "é completamente impossível pensar que se pode reverter" os acordos de emergência assinados em dezembro 2020. Acordos que levaram as cortes salariais de 25% para generalidade dos trabalhadores, chegando aos 50% no primeiro para os pilotos. Hoje o corte dos pilotos está nos 35%, mas o SPAC, que tem sido muito crítico desta gestão quer que estes desçam para 25%.
Às críticas e manifestações dos trabalhadores, nomeadamente pilotos, tripulantes e trabalhadores da manutenção, Christine Ourmières-Widener afirmou que uma gestão "só pode ser julgada pelos resultados que apresenta". "Eu penso que estamos a apresentar bons resultados, [...] espero que hoje não haja dúvidas que a gestão da TAP está a fazer um bom trabalho", defendeu.


Também em resposta a uma das críticas dos sindicatos, o recurso da TAP a contratos ACMI (aluguer de aviões com tudo incluído - Aircraft, Crew, Maintenance e Insurance - avião, pessoal, manutenção e seguros), Christine Ourmières-Widener desdramatizou. Defendeu tratar-se de "prática clássica da indústria", sublinhando que a necessita de recorrer aos ACMI resultou também da necessidade de colmatar atrasos na entrega de aviões da Embraer para a Portugalia, que já deveria ter 19 aviões a voar a neste momento, mas tem ainda lhe falta receber quatro das aeronaves pedidas..

Gonçalo Pires, esclareceu que desde o início da aplicação do plano de reestruturação a TAP já poupou 137 milhões de euros em resultado da renegociação de contratos com fornecedores, valor que deverá aumentar ao final do ano.

As ameaças: do combustível aos problemas nos aeroportos

Não obstante, a melhoria das contas, a TAP e todo o sector enfrentam muitos desafios, desde a incerteza geopolítica, à subida dos combustíveis - que se deve manter alta até ao final do ano, passando pela inflação, a valorização do dólar, a flutuação cambial (importante por causa do Brasil) e a disrupção dos aeroportos, nomeadamente do de Lisboa.


No topo das preocupações está o custo do combustível, que ascendeu a 400 milhões de euros, no primeiro semestre. Mais do que face ao mesmo período de 2020. A TAP, estima a presidente, deverá gastar cerca de 1.000 milhões de euros em 'jet fuel' este ano.


A disrupção dos aeroportos é um problema para as companhias, e tem sido este ano uma das grandes responsáveis pelos atraso e cancelamentos, responsáveis pelo desvio de 14 mil passageiros da TAP este ano. Por isso, Christine Ourmières-Widener, defende uma decisão para a localização da nova infraestrutura aeroportuária para a região de Lisboa para breve. "Como é que se planeia para um aeroporto que ainda não está decidido?", perguntou.

A TAP como maior operadora do aeroporto de Lisboa, onde está situado o seu hub, acaba por ser penalizada pelas limitações de expansão do Humberto Delgado.

Sobre o negócio de manutenção e engenharia no Brasil (ME Brasil), que a TAP encerrou este ano, o administrador financeiro esclareceu que a empresa já não é operacional, ou seja, não tem qualquer manutenção em curso, e tem menos de 20 trabalhadores. Está em fase de liquidação de dívidas e não se espera que tenha impacto negativo nas contas futuras.