Economia

Apren classifica como "retrocesso climático" rotular nuclear e gás como energias sustentáveis

14 julho 2022 14:36

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

Foto: Getty Images

A Apren - Associação Portuguesa de Energias Renováveis lamenta que o Parlamento Europeu tenha aprovado classificar a energia nuclear e as centrais a gás natural como fontes sustentáveis

14 julho 2022 14:36

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A Apren - Associação Portuguesa de Energias Renováveis qualifica como "retrocesso climático" a votação do Parlamento Europeu que, em matéria de taxonomia energética, incluiu a energia nuclear e o gás natural como fontes sustentáveis.

“Esta tomada de posição representa um retrocesso climático que põe em causa os compromissos já assumidos para travar as alterações climáticas, nomeadamente as metas do Acordo de Paris, com vista a limitar o aquecimento global a um aumento de 1,5 graus centígrados acima dos valores pré-industriais”, sublinha o presidente da Apren, Pedro Amaral Jorge, num comunicado divulgado esta quinta-feira.

A votação do Parlamento Europeu, que considerou alguns projetos de gás e energia nuclear como alinhados com a transição energética, teve o voto contra de 18 dos 21 eurodeputados portugueses.

Para que sejam considerados sustentáveis, os projetos de produção de eletricidade a partir de gás natural têm de ter emissões de ciclo de vida abaixo de 100 gramas de dióxido de carbono por cada kilowatt hora (kWh) produzido, e têm de obter uma licença de construção até 2030. Também são admitidas centrais com planos para mudarem para gases renováveis ou de baixas emissões de carbono até ao final de 2035, de acordo com um limite geral de emissões de CO2 de 270 gramas por kWh.

No caso da energia nuclear, a inclusão na classificação de fonte sustentável (relevante para o acesso a uma série de fontes de financiamento) implica que se trate de projetos de nova geração, com construção aprovada até 2045, bem como o investimento em investigação e desenvolvimento em tecnologias que promovam segurança e desperdício mínimo.

A Apren admite que "a energia nuclear não produz emissões de dióxido de carbono", mas sublinha que "gera resíduos radioativos que Portugal tem recusado historicamente". "Esta opção deixar-nos-ia a braços com o difícil problema de gestão de resíduos perigosos, além das óbvias questões de segurança operacional face a eventuais desastres que as alterações climáticas poderão potenciar", alerta a associação, lembrando igualmente o longo período de construção das centrais nucleares, que não reflete "a urgência da transição energética".

A Apren diz ainda que "aceitar o gás natural como energia sustentável não é mais do que branquear as emissões de carbono".

"O gás natural deve ser encarado como um combustível de transição, mas considerá-lo sustentável só contribuirá para o protelamento da urgente transição energética. Trata-se ainda de uma fonte de energia que torna a eletricidade mais cara, já que há lugar a pagamento de emissões, o que acarreta impactos financeiros negativos no consumidor", acrescenta a associação de empresas de energias renováveis.