Economia

Previsões do Banco de Portugal: Centeno é o mais otimista no crescimento e na inflação

15 junho 2022 13:37

Carlos Esteves

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Infográfico

Mário Centeno, governador do Banco de Portugal. Simon Dawson/Bloomberg via Getty Images

A economia portuguesa vai crescer 6,3% este ano, a previsão mais elevada face às mais recentes do FMI (4,5%) e da OCDE (5,4), segundo o Boletim Económico de Junho publicado esta quarta-feira pelo Banco de Portugal. A inflação de 5,9% prevista para 2022 é mais baixa do que as avançadas recentemente pelo FMI (6%) e OCDE (6,3%)

15 junho 2022 13:37

Carlos Esteves

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A economia portuguesa deverá crescer 6,3% em 2022, segundo as previsões do Banco de Portugal (BdP) publicadas esta quarta-feira no Boletim Económico de Junho apresentado por Mário Centeno.

A materializar-se será um crescimento significativamente acima do previsto pelo Banco Central Europeu (NCE) para o conjunto da zona euro. O BCE reviu em baixa a sua previsão anterior, apontando, agora, para um crescimento de 2,8%. Crescendo 3,5 pontos percentuais acima da média da área da moeda única, a economia portuguesa realiza uma forte convergência em 2022.

A nova previsão do BdP revê em alta a avançada em março que apontava para uma recuperação mais branda, de apenas 4,9%. "Em 2022, a economia cresce 6,3%, refletindo um forte efeito de arrastamento associado ao crescimento ao longo de 2021, à dinâmica do primeiro trimestre do ano, mas também a uma acentuada desaceleração no resto do ano", refere o comunicado do BdP. Acrescenta que: "O agravamento do enquadramento internacional condiciona a evolução da atividade. A economia portuguesa sofre impactos, diretos e indiretos, da invasão da Ucrânia, que resulta no aumento da incerteza, em maiores taxas de inflação e no acentuar das disrupções nas cadeias de produção globais. A deterioração do contexto externo implicou revisões em baixa das taxas de variação em cadeia do PIB ao longo de 2022. Os efeitos dinâmicos destas revisões implicam um menor crescimento anual em 2023 relativamente ao anteriormente projetado".

A previsão avançada por Mário Centeno é a mais otimista entre as mais recentes publicadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em maio e pela OCDE em junho. O FMI, na análise da economia portuguesa ao abrigo do artigo IV, prevê um crescimento em 2022 muito mais fraco do que Centeno, de apenas 4,5% (mesmo assim, acima de 4% que previa em abril no World Economic Outlook). A OCDE avançou com uma previsão de 5,4% no seu recente Economic Outlook. Em maio, a Comissão Europeia, nas suas previsões, avançava com 5,8%.

Em qualquer das previsões, a economia portuguesa crescerá muito mais em 2022 do que a média da zona euro, segundo as previsões recentes do BCE.

Revisão em alta da previsão de inflação

Para a inflação, o BdP prevê, agora, para 2022, uma taxa de 5,9%, reconhecendo o surto inflacionário na zona euro e global em curso. Os economistas do banco procederam, também, a uma significativa revisão em alta: em março previam 4,0%.

No entanto, a previsão de 5,9% avançada para Portugal é inferior à média da zona euro avançada pelo BCE nas projeções económicas da sua última reunião: 6,8%.

As novas previsões para a inflação anunciadas por Mário Centeno para 2022 são as mais otimistas entre as mais recentes avançadas em maio pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), aquando da análise feita à economia portuguesa ao abrigo do artigo IV, e em junho pela OCDE. O FMI avançou com uma previsão de 6% e a OCDE foi ainda mais pessimista, apontando para 6,3%.

Segundo o BdP, o perfil de evolução da inflação entre 2022 e 2024 "reflete a evolução das pressões externas sobre os preços", que. "ao longo do horizonte de projeção se vão dissipando, sendo parcialmente compensadas por um aumento das pressões internas"

As previsões do BdP apontam ainda para uma forte desaceleração do crescimento em 2023 e 2024, descendo para 2,6% e 2,2% respetivamente. Quanto à inflação, o surto deverá abrandar, caindo para 2,7% em 2023 e 2,2% em 2024, mesmo assim mantendo-se acima do objetivo da política monetária do Banco Central Europeu para o conjunto da zona do euro.