Economia

Portugal vai voltar a receber gás russo na próxima sexta-feira

28 fevereiro 2022 18:11

Foto: REN

Depois de quatro meses sem receber gás russo, o terminal de Sines voltará, esta semana, a acolher um navio proveniente da Rússia, na primeira descarga de gás desta origem desde que a Ucrânia foi atacada e a Rússia alvo de um conjunto de sanções económicas

28 fevereiro 2022 18:11

O navio chama-se Vladimir Vize, transporta gás natural liquefeito (GNL), e tem chegada prevista a Sines na próxima sexta-feira, 4 de março. Será a primeira descarga de gás russo em Portugal em mais de três meses.

Os dados da REN – Redes Energéticas Nacionais mostram que o último mês em que o sistema nacional de gás natural recebeu gás russo foi outubro. Nesse mês, 26,5% do gás natural importado por Portugal veio da Rússia, 50,7% da Nigéria, 14,6% dos Estados Unidos e os restantes 8,2% vieram de Espanha.

Mas em novembro, dezembro e janeiro Portugal nada importou da Rússia em matéria de gás natural, de acordo com a informação publicada pela REN. A empresa ainda não disponibilizou os dados de fevereiro, mas fonte oficial da REN confirmou ao Expresso que também no mês que agora termina não houve gás russo descarregado em Sines.

Se durante quatro meses o terminal da REN esteve literalmente a ver navios de outras origens que não a Rússia, isso terminará, com a chegada do Vladimir Vize, um navio de gás natural liquefeito (GNL) que saiu do porto de Sabetta, na península de Yamal, Norte da Rússia, a 23 de fevereiro.

Os dados do Porto de Sines indicam que o navio tem chegada prevista para a madrugada de sábado, 5 de março, às 0h01, mas as informações de várias plataformas de monitorização de navios (como o Vessel Finder e o Marine Traffic) adiantam que o Vladimir Vize deve chegar a Sines ainda na sexta-feira, 4 de fevereiro.

Foto: Kees Torn (Wikimedia Commons)

Foto: Kees Torn (Wikimedia Commons)

Construído em 2018, com quase 300 metros de comprimento, este navio de GNL tem bandeira de Hong Kong. Os dados do Porto de Sines são omissos quanto ao volume de gás transportado ou quanto à empresa que está a importar esta carga. Segundo as informações recolhidas pelo Expresso, o importador será a Naturgy (antiga Gas Natural Fenosa), que o jornal digital “Eco” já indicava, há dias, que é a única empresa que tem importado gás russo para Portugal e que pretenderá manter essa estratégia em 2022.

A Naturgy era em novembro (últimos dados publicados pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos) o comercializador de gás natural em Portugal com a segunda maior quota de mercado, 14,7% do volume de gás fornecido, apenas atrás dos 54,6% da Galp. O terceiro maior comercializador de gás (em volume) é a Endesa, com 14,2% do mercado, seguida da EDP, com 10,4%. A Naturgy está presente sobretudo no segmento de consumidores empresariais e industriais.

O armador do Vladimir Vize é a empresa MOL LNG Transport Europe e o agente de navegação responsável pela escala em Portugal é a empresa portuguesa Orey Comércio e Navegação.

Será a segunda descarga de gás liquefeito desta semana em Sines, depois de esta segunda-feira ter chegado ao terminal operado pela REN o LNG River Niger, um navio com bandeira das Bermudas, que veio deixar em Sines gás proveniente da Nigéria, que é hoje o maior fornecedor de gás natural de Portugal.

Portugal tem na Nigéria o seu maior fornecedor de gás natural, seguindo-se os Estados Unidos da América (EUA), que têm vindo a ganhar quota de mercado no abastecimento de vários países europeus, e que poderão reforçar ainda mais as suas exportações para a Europa no quadro da procura de diversificação do Velho Continente.

Em 2021, pelos dados da REN, Portugal teve ainda 14,6% de contributo da Rússia no seu aprovisionamento de gás, um peso que aumentou face aos 8% do ano 2020 e aos 3,2% de 2019.

A 24 de fevereiro o Ministério do Ambiente emitiu um comunicado indicando que "não se antevê que uma potencial interrupção do fornecimento por parte da Rússia represente uma disrupção no fornecimento de gás natural a Portugal".

"Portugal vive hoje num cenário de uma maior diversificação de origens do gás natural que importa e, sendo o mercado de gás natural global, existem diversos fornecedores que poderão representar uma alternativa segura e viável ao gás natural vindo da Rússia", apontava o mesmo comunicado.

O Governo salientava então que "Portugal dispõe de elevados níveis de armazenamento de gás natural (79,2% da capacidade total), que atualmente é dos valores mais elevados da Europa em termos percentuais", acrescentando que "não se verificaram quaisquer falhas nas entregas de GNL no terminal de Sines e a calendarização de fevereiro e março decorre como programado pelos agentes de mercado".