Economia

BCE é o banco central mais rico em ativos

24 novembro 2020 15:10

ralph orlowski/getty images

O valor dos ativos do Banco Central Europeu atingiu €6,87 biliões, liderando o 'clube' dos quatro principais bancos centrais do mundo, segundo o balanço semanal publicado esta terça-feira em Frankfurt. Representa 61% do PIB da zona euro previsto para 2020

24 novembro 2020 15:10

O Banco Central Europeu (BCE) atingiu um novo recorde no valor dos seus ativos, segundo o balanço publicado ao início da tarde desta terça-feira em Frankfurt. O valor dos ativos é, agora, de €6,87 biliões, o que representa 61% do Produto Interno Bruto (PIB) da zona euro estimado para 2020. O valor reportado esta terça-feira diz respeito a 20 de novembro. O BCE publica semanalmente, às terças-feiras, o balanço dos seus ativos.

Aquele valor dos ativos perto de €7 biliões coloca o BCE na liderança do 'clube' dos quatro principais bancos centrais. Nem mesmo a Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed), com ativos no valor de 7,24 biliões de dólares (pouco mais de €6 biliões) a 18 de novembro, se aproxima do BCE. O Banco do Japão (BoJ) regista ativos no valor equivalente a €5,6 biliões a 12 de novembro e o Banco Popular da China (PBOC) tinha, no final de outubro, ativos no valor equivalente a €4,8 biliões.

No entanto, em termos de peso no PIB, o BCE não lidera o 'clube'. O BoJ tem ativos no valor de 131% do PIB nipónico e tem em carteira títulos de dívida pública que somam 100% do PIB. Em segundo lugar vem o BCE com 61% do PIB da zona euro. Seguem-se o PBOC com 51% e a Fed com 34% dos respetivos PIB.

Disparo do valor dos ativos na Fed

Apesar da liderança no valor dos ativos, o BCE não foi o banco central que mais aumentou o seu balanço desde o início do ano.

A Fed lidera esta corrida com uma subida do valor dos ativos em 74%. No caso do BCE, o aumento foi de 46%. Para o BoJ, a subida foi apenas de 17% e, no caso do PBOC, foi marginal. Os dois corredores destacados nos estímulos monetários de resposta à pandemia da covid-19 são a Fed e o BCE.

O aumento no caso do BCE deveu-se aos quase €800 mil milhões de títulos comprados no âmbito dos programas de aquisição de ativos - designadamente €662 mil milhões no âmbito do programa especial de emergência lançado em março (conhecido pela sigla em inglês PEPP). A outra componente do disparo foi o aumento, desde final do ano passado, em €1,1 biliões do valor dos empréstimos ao sector bancário em operações de refinanciamento de prazo alargado (conhecidas pela sigla em inglês TLTRO).

As duas principais componentes dos ativos do BCE são a carteira de títulos adquiridos ao abrigo dos diferentes programas de aquisição de títulos desde 2010, que soma €3,6 biliões, 52% dos ativos, e o volume de empréstimos à banca que soma €1,75 biliões. No caso da Fed, os títulos adquiridos no âmbito da política monetária valem 92% dos ativos e no caso do BoJ pesam 77%.

BCE deverá ampliar estímulos em dezembro

A intervenção do BCE na resposta à pandemia deverá ser ampliada na reunião de 10 de dezembro, tanto em termos de valor do envelope global para o PEPP como em duração. Também novas linhas de financiamento para a banca deverão ser anunciadas.

Com o risco de recaída em recessão na zona euro neste final de ano e eventualmente nos primeiros três meses de 2021, e face a um cenário anunciado por Philip Lane, o economista-chefe do BCE, de que a recuperação económica só deverá estar terminada no outono de 2022, o BCE não pretende correr o risco de desativar prematuramente os estímulos monetários.