Economia

Banco de Portugal vê recuperação “rápida” da economia portuguesa

6 outubro 2020 13:45

Mário Centeno, governador do Banco de Portugal

pedro nunes

Banco central antecipa queda de 8,1% do PIB português este ano, quando em junho esperava contração de 9,5%. Tombo da economia portuguesa fica “alinhado” com o esperado para a zona euro

6 outubro 2020 13:45

O Banco de Portugal (BdP) está mais otimista sobre o comportamento da economia portuguesa este ano, apontando para uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 8,1%. É um número inédito, mas, mesmo assim, menos grave que a contração de 9,5% que o BdP tinha antecipado em junho.

As novas projeções foram avançadas pelo governador, Mário Centeno, na apresentação do Boletim Económico de outubro, esta terça-feira, em Lisboa. E adiantou que a recuperação está a ser mais rápida do que o previsto, sinalizando mesmo que "muitos indicadores apontam para uma recuperação em V".

O número apontado para a contração da economia portuguesa fica assim “totalmente alinhado” com a área do euro, frisou Mário Centeno. Isto quando, em junho, era projetada “uma divergência”, constatou o governador do BdP.

Recorde-se que o Banco Central Europeu antecipa uma queda de 8% para o PIB do espaço da moeda única.

Mário Centeno frisou que a composição da evolução da economia é, contudo, “bastante diferente” entre Portugal e a zona euro.

Assim, para Portugal, o BdP espera uma queda do investimento, medido pela Formação Bruta de Capital Fixo, de apenas 4,7%. O que significa uma melhoria de 6,4 pontos percentuais face ao antecipado em junho. Já na área do euro, este indicador deve cair 12,3%. E a diferença está, em particular, no sector da construção, que tem um desempenho muito melhor em Portugal.

Também o consumo “se comporta ligeiramente melhor em Portugal”, afirmou Centeno.

“O contraponto são as exportações, sobretudo de serviços, associado ao turismo”, destacou.

O BdP aponta para uma queda anual das exportações de bens e serviços de 19,5%, ainda assim melhorando esta projeção quase em 6,5 pontos percentuais.

Esta melhoria das projeções “está muito associada a um segundo trimestre melhor do que tínhamos antecipado em junho”, explicou Centeno. Ou seja, apesar da queda inédita sofrida pela economia portuguesa, não foi tão má como o BdP chegou a temer.

Ao mesmo tempo, “a recuperação que projetamos é rápida, sustentado nas políticas adotadas e na preparação da economia portuguesa para responder aos desafios”, frisou Centeno, destacando o “grande contraste face à crise anterior”.

O governador destacou mesmo o facto de “muitos indicadores apontarem para uma recuperação em V”, não arriscando, contudo, falar de recuperação em V devido à “elevada incerteza”. E adiantou que a economia portuguesa terá tido uma evolução no terceiro trimestre face aos três meses anteriores "muito forte".

O BdP não apresentou, contudo, projeções para os próximos anos, o que só fará em dezembro.

Mário Centeno frisou como pilares que sustentam a recuperação que “o país tinha condições de adotar políticas contracíclicas”, que reforçaram a confiança. Bem como a conjugação de políticas nacionais e europeias.

Reforçando que “a recuperação está a ser a um ritmo superior ao antecipado pelo BdP no início do Verão”, Centeno frisou que é “importante manter os níveis de confianca”.