Economia

Economia da zona euro regista maior queda trimestral desde 1995

30 abril 2020 10:05

westend61

O PIB da zona euro caiu 3,8% entre janeiro e março deste ano em relação ao trimestre anterior, segundo a primeira estimativa do Eurostat. É uma queda superior à do pior trimestre da recessão de 2009. Inflação caiu para 0,4% em abril

30 abril 2020 10:05

A primeira onda de impacto da pandemia da covid-19 já se fez sentir no primeiro trimestre de 2020 na zona euro, com uma quebra do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,8%, segundo a primeira estimativa do Eurostat, o organismo de estatística da União Europeia, publicada esta quinta-feira.

É a maior queda de que há registo desde a publicação da série trimestral do Eurostat para a zona euro iniciada em 1995, sublinha o comunicado daquele organismo. A quebra nos três primeiros meses de 2020 foi superior à registada no pior trimestre da recessão de 2009.

A queda de 3,8% diz respeito à variação em relação ao trimestre anterior, o que se designa por variação em cadeia.

Zona euro caiu menos do que EUA e China

Em termos homólogos, em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, a quebra foi de 3,3%, abaixo da quebra no pior trimestre da grande recessão de 2009.

No pior trimestre da grande recessão de 2009, entre julho e setembro, o PIB da zona euro caiu 4,5% em termos homólogos.

A quebra de 3,3% na zona euro entre janeiro e março, em termos homólogos, compara com uma queda de 4,8% nos Estados Unidos e 6,8% na China.

França e Itália em recessão técnica

Esta quinta-feira foram, também, publicadas as estimativas para o crescimento homólogo no primeiro trimestre em França e Espanha. O PIB do país vizinho contraiu 4,1%, a maior queda desde o segundo trimestre da recessão de 2009. Em França a quebra do PIB entre janeiro e março foi de 5,4%, o pior trimestre desde 1949. Em Itália, a economia que esteve no epicentro europeu da pandemia, a queda foi de 4,8%, inferior à previsão dos analistas e mais baixa do que em França.

França e Itália encontram-se em recessão técnica, já com dois trimestres consecutivos de queda da economia.

Ainda não é conhecida a estimativa para a queda na maior economia do euro, a Alemanha, mas os analistas do Commerzbank apontam para uma redução de 2,5% do PIB entre janeiro e março.

As quedas do PIB registadas à escala da zona euro e das economias que já publicaram as estimativas oficiais são, na maioria dos casos, superiores às previsões dos analistas, o que são más notícias para o Banco Central Europeu (BCE) que está em reunião esta quinta-feira, com a publicação das decisões marcada para as 12h45 (hora de Portugal).

Para o conjunto da União Europeia, a queda, nos primeiros três meses do ano, foi de 3,5% em cadeia e 2,7% em termos homólogos.

A primeira estimativa sobre a variação do PIB da economia portuguesa só será publicada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) a 15 de maio.

Inflação desce para a taxa mais baixa desde o verão de 2016

A inflação na zona euro abrandou de 0,7% em março para 0,4% em abril, em termos homólogos, segundo a estimativa rápida também publicada pelo Eurostat esta quinta-feira. O nível de inflação está, agora, cada vez mais distante do objetivo de 2% da política monetária do BCE.

É a taxa mais baixa desde o verão de 2016. Recorde-se que, nos primeiros três meses daquele ano, a zona euro registou deflação (quebra de preços).

Em Portugal, a variação do índice harmonizado em abril foi de 0,1%, segundo a primeira estimativa publicada pelo INE. Em França foi de 0,5% e em Espanha registou-se deflação, com uma queda de 0,6% do índice harmonizado.

Nas estimativas apresentadas pelo Eurostat para abril há já oito economias do euro com quebras nos preços no consumidor. Os níveis de deflação mais elevados registam-se na Eslovénia (-1,2%) e em Chipre (-1,2%). Também Irlanda, Grécia, Espanha, Letónia, Luxemburgo e Finlândia registam variações negativas do índice harmonizado de preços no consumidor.

O comportamento do índice na zona euro foi marcado em abril por uma forte subida (7,7%) no preço dos produtos alimentares não transformados e uma ainda maior queda (-9,6%) no preço dos produtos energéticos. Um padrão similar ao verificado em Portugal.