Economia

Covid-19. “Com muita calma e segurança”, turismo português vai abrir a partir de maio

15 abril 2020 20:10

Francisco Calheiros, presidente da CTP, apela a que as moratórias se prolongem para depois de 2021

antónio cotrim/lusa

Hotéis e restaurantes a abrir gradualmente em maio, com pessoal de máscara e luvas, é o que resultou da reunião entre a Confederação do Turismo de Portugal e o primeiro-ministro, o ministro da Economia e a ministra do Trabalho

15 abril 2020 20:10

O turismo em Portugal prepara-se para ir gradualmente abrindo a partir de maio, "com muita calma e segurança", segundo anunciou Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP) na 'webconference' lançada esta quarta-feira pelo "Jornal de Negócios" sobre o tema "Liderança à Prova" e destinada a perceber como organizações dos diferentes sectores estão a responder à pandemia do Covid-19.

Francisco Calheiros anunciou a retoma gradual do turismo a partir de maio, logo depois de as principais confederações a nível nacional terem reunido com o primeiro-ministro, António Costa, o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, e a ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, sobre a forma como se poderá processar a retoma a uma possível 'normalidade'.

"Há que ser muito criativo neste regresso, provavelmente com as empresas a intercalar horários dos trabalhadores, e no caso da hotelaria não haver as capacidades máximas que eram normalmente utilizadas, mas é muito importante começarmos já a trabalhar nas formas como podemos ir devagarinho reabrindo a partir de maio, para a economia começar a fluir", frisou o presidente da CTP.

Portugal deve promover-se como "destino seguro, também a nível de higienização"

Referindo que este regresso gradual deverá ser feito com o pessoal do turismo "de máscara e luvas", e que haja um ambiente de "higienização generalizado em todos os restaurantes, hotéis, e desde que os turistas entram nos aeroportos", Francisco Calheiros sublinha que "no turismo já passámos muitas crises, e uma lição que aprendemos é que todas as crises passam, e esta também vai passar, poderá é ser mais demorada".

Com uma gradual retoma do turismo a partir de maio, "se calhar em junho vai ser um bocadinho melhor, mas esta é uma crise como nunca vimos, e vai demorar a recuperar na totalidade", adverte Francisco Calheiros, frisando que a prioridade em todo este processo é "acautelar que não haja uma segunda pandemia".

Relativamente às perspetivas para o verão, o presidente da CTP avança que "na sua maioria, o verão está perdido", por comparação ao que seriam os resultados habituais. Francisco Calheiros enfatiza que a aposta na primeira fase da retoma estará no turismo interno, lembrando ainda que os portugueses assumem aqui uma quota de 30%.

"Em agosto e setembro, se abrirem as fronteiras, e com muitos cuidados, podemos pensar na vinda de espanhóis", refere o presidente da Confederação do Turismo, frisando que "a seguir a uma crise destas, algumas empresas vão ficar pelo caminho, e claramente não vamos ter o mesmo verão que tivemos no ano passado".

Um reforço "muito grande" nas verbas de promoção é o que propõe o responsável da CTP para o período de retoma após o pico da pandemia, salientando que "o que vai acontecer é que vai haver muitos países a disputar os potenciais clientes".

Francisco Calheiros destaca que Portugal, que já beneficiava da imagem de destino seguro, também deve promover-se como "um destino muito responsável do ponto de vista da higienização, e dar esta mensagem importante aos turistas: venham a Portugal, porque saberemos como atuar se houver um novo surto desta pandemia".