Economia

CEO RESET. “Eu iria trabalhar numa quinta, lavar pratos, qualquer coisa”: o que faria Steven Braekeveldt se caísse no desemprego

22 abril 2019 16:36

Steven Braekeveldt lidera a Ageas Portugal, o grupo dos seguros Ageas, Médis, Ocidental e Seguro Directo. É o segundo de dez CEO que, ao longo de 2019, revelarão as suas experiências e dicas de gestão no Expresso

josé fernandes

Steven Braekeveldt, o belga que dirige o grupo segurador Ageas Portugal, diz que o importante é arranjar um emprego – onde quer que seja – e a partir daí voltar a subir. É que o talento é como o óleo na água: “A carreira pode sofrer um revés, mas o talento acaba sempre por vir ao de cima”. Este é um dos dez CEO que aceitaram o repto do jornal Expresso e da consultora EY para fazerem “reset” e refletirem sobre o desafio que é gerir uma empresa ou ter de começar de novo

22 abril 2019 16:36

Questionado sobre o que faria se estivesse numa situação difícil e desempregado aos 55 anos de idade, o CEO Steven Braekeveldt - que começou a trabalhar aos quinze anos e passou por múltiplos empregos, desde apanhador de fruta até líder do grupo segurador Ageas Portugal - diz que o importante é começar por arranjar um emprego onde quer que seja, seja a trabalhar numa quinta, a lavar pratos ou até emigrando. A partir daí, a estratégia é voltar a subir:

  • “Eu iria trabalhar numa quinta, lavar pratos, qualquer coisa. Nunca estaria sem emprego. E conhecendo um pouco da minha pessoa, acho que, através da minha inteligência, começaria imediatamente a tentar resolver ineficiências na quinta, no restaurante… Em qualquer sítio onde trabalhasse, eu tentaria resolver ineficiências e, através disso, subir, subir, subir”
  • “Se tal não fosse possível, de certeza que emigraria. É uma questão de atitude. Se não há nada, vai-se para fora, muda-se de país. Por exemplo, na minha região, há 50 mil postos de trabalho disponíveis que não conseguem ser preenchidos, 50 mil. Se não há aqui, vou para lá: aprendo a língua, aprendo a cultura e adapto-me”.
  • “Sim, há empregos. Temos é de nos mudar como antigamente, como nos anos 20, 30… Os portugueses sabem-no bem. Muitos foram para a Bélgica quando havia aqui muita pobreza e as pessoas tiveram de sair porque não havia emprego. Eram gerações de pessoas que emigravam… Agora o que importa é o conforto, ficar em casa dos pais até aos 30 porque não têm de lavar a roupa, nem a loiça, nem a comida, etc”.

E será que empresas, como a Ageas, está interessada em contratar pessoas acima dos 55 anos de idade? O CEO responde que é um tópico que se tem discutido dentro deste grupo segurador internacional, sediado em Bruxelas:

  • “O que vemos, tanto em Portugal, como na Bélgica, é que temos cada vez mais vagas e é cada vez mais difícil encontrar pessoal. Então, porque não ter pessoas com mais de 50 ou mais de 55 anos de idade a preencher essas vagas? A questão é o ego das pessoas com essa idade. Elas acreditam que merecem ganhar muito mais por serem mais velhas”.
  • “Quando contratamos um funcionário mais novo, ele tem de começar por aprender a sua função. E se contratarmos uma pessoa com 50 anos de idade, também. Contudo, dizem: ‘ah, mas eu antes tinha um salário maior, eu não vou trabalhar por este salário.’ Eu olharia de maneira diferente: não me importaria de recomeçar nesse nível e depois mostraria que devia receber mais.
  • “Eu não recusaria nada. Se aceitar um emprego abaixo do seu nível, e se for inteligente e tiver o conhecimento, então fará muito mais do que lhe é pedido porque usará toda a sua experiência de 30 anos. E aí começará a influenciar as pessoas e a subir através do seu talento”.
  • “O talento é como o óleo numa garrafa de água. Põe-se o óleo numa garrafa de água e depois agita-se. Todas as carreiras podem sofrer um revés, mas o talento acaba sempre por vir ao de cima”

Steven Braekeveldt lidera a Ageas Portugal, o grupo constituído pela Ageas Seguros, a Médis, a Ocidental e a Seguro Directo. Depois de Isabel Vaz, é o segundo de dez gestores de empresas que aceitaram o repto do jornal Expresso e da consultora EY para fazerem “RESET” e refletirem sobre o desafio que é gerir uma empresa ou ter de começar de novo. Acompanhe no site do Expresso as suas histórias, dicas e conselhos