Economia

CEO RESET. “Vão-se rir de mim, mas seria um agente de seguros. "O conselho profissional que Steven Braekeveldt dá aos jovens

11 abril 2019 17:31

Steven Braekeveldt lidera a Ageas Portugal, o grupo dos seguros Ageas, Médis, Ocidental e Seguro Directo. É o segundo de dez CEO que, ao longo de 2019, revelarão as suas experiências e dicas de gestão no Expresso

josé fernandes

Steven Braekeveldt, o belga que dirige o grupo segurador Ageas Portugal, deixa ainda um conselho aos jovens portugueses que procuram uma carreira profissional com futuro: “Vão se rir de mim, mas eu seria agente de seguros”. Este é um dos dez CEO que aceitaram o repto do jornal Expresso e da consultora EY para fazerem “reset” e refletirem sobre o desafio que é gerir uma empresa ou ter de começar de novo

11 abril 2019 17:31

O CEO do grupo Ageas Portugal, Steven Braekeveldt, defende que agente de seguros é uma carreira com futuro no país: “Vão-se rir de mim, mas, se eu fosse hoje um jovem português, eu seria um agente de seguros”.

Quando questionado sobre que conselho profissional daria aos mais jovens, o CEO responde agente de seguros porque dentro de uma década haverá imensa falta de pessoas no sector. “Se olharem para a média de idades das pessoas que trabalham no sector dos seguros, daqui a dez a 15 anos já não haverá ninguém. A idade média das pessoas que trabalham nas agências de seguros é muito elevada”.

O CEO acredito que um jovem que vá hoje trabalhar para os seguros pode ter um futuro dourado pela frente uma vez que “não resta ninguém”. Mas para criar a sua carteira de clientes, e aproveitar todo o potencial da profissão, será preciso trabalhar aos fins de semana e durante dos dias da semana até mais tarde.

Ser bom nesta profissão implica investir bastante tempo até se conseguir construir uma sólida carteira de clientes. Durante o dia, é preciso estar focado nos interesses dos clientes e suas necessidades reais. Fora do horário normal de trabalho, inclusive aos fins de semana – que é quando os clientes não estão a trabalhar e têm maior disponibilidade – é importante ir ao seu encontro para lhes explicar os seguros que melhor se adaptam às suas necessidades. “Se conseguir construir, gradualmente, um bom portfólio e souber cuidar dele, então pode viver muito bem”.

Steven Braekeveldt nasceu em 1960 e detém diferentes licenciaturas em direito, além de ser mestre em Economia e Finanças. Mas difícil seria escolher o curso que tiraria se hoje voltasse a ser jovem. Quando questionado sobre o que faria se tivesse outra vez quinze anos, o CEO explica por que tão difícil responder a esta pergunta:

  • “É uma questão que me mantém ocupado todos os dias e estou confuso. Não é porque não esteja interessado, nem porque não leia sobre o assunto. É porque não consigo imaginar o que aí vem. Eu estou sempre a pensar onde podem os meus filhos trabalhar, onde as coisas não sejam tomadas por inteligência artificial, robôs, etc. Não consigo imaginar, esqueça, tudo o que importa será tomado por máquinas e robôs”.
  • “Esqueçam a cirurgia porque será feita 24 horas por dia e sete dias por semana por máquinas que não se cansam e até podem reduzir o custo da saúde”.
  • “O meu filho está na consultoria porque agora todos os jovens fazem consultoria, mas será esse o futuro? Consultoria de quê? Em que área?”.
  • “A minha filha está mais focada em oncologia. E aí sim, os cuidados de saúde é uma área com futuro, as pessoas vivem mais anos, têm mais doenças, precisam de mais cuidados, mas também tem um lado negativo… Da última vez que estive na Singularity University, em São Francisco, havia um CEO de uma empresa de robôs que já estava a desenvolver um tipo de pele artificial que, ao toque, parece pele verdadeira”.
  • “A previsão é que daqui a 15 anos toda a gente tenha um robô, com a aparência de um homem ou uma mulher, muito bonitos, a andar pela casa e que possa fazer o café, lavar a roupa e que aprenda por si próprio”.
  • “Todos vemos os resultados da inteligência artificial na arte, na pintura, na poesia, na escrita. Por exemplo, o Anna Karenina foi rescrito por algoritmos de inteligência artificial ao estilo de Haruki Murakami. Levaram cerca de 60 horas e vende. Até os quadros pintados por inteligência artificial se vendem na Sotheby’s”.

Steven Braekeveldt lidera a Ageas Portugal, o grupo constituído pela Ageas Seguros, a Médis, a Ocidental e a Seguro Directo. Depois de Isabel Vaz, é o segundo de dez gestores de empresas que aceitaram o repto do jornal Expresso e da consultora EY para fazerem “RESET” e refletirem sobre o desafio que é gerir uma empresa ou ter de começar de novo. Acompanhe no site do Expresso as suas histórias, dicas e conselhos