Economia

CEO RESET. Qual foi a decisão mais difícil na carreira da Isabel Vaz?

2 abril 2019 17:46

Isabel Vaz é a presidente da comissão executiva da Luz Saúde e a primeira de dez CEO que, ao longo de 2019, revelarão as suas experiências e dicas de gestão no Expresso

isabel vaz

Isabel Vaz, presidente da comissão executiva do grupo Luz Saúde, revela quão difíceis foram aqueles seis meses, entre setembro de 2013 e fevereiro de 2014, quando teve de salvar os seus hospitais da queda do Grupo Espírito Santo. Esta é uma das dez CEO que aceitaram o repto do jornal Expresso e da consultora EY para fazerem “reset” e refletirem sobre o desafio que é gerir uma empresa ou ter de começar de novo

2 abril 2019 17:46

A decisão mais difícil da carreira de Isabel Vaz foi tomada em 2013, de modo a salvar o grupo Luz Saúde - então chamado Espírito Santo Saúde – do iminente colapso do Grupo Espírito Santo em 2014. A CEO explica como decidiu e conseguiu entrar em bolsa tão rapidamente:

  • “No verão de 2013, tomámos verdadeiramente consciência de que a situação do nosso acionista era muito grave e era muito grave a todos os níveis. Era grave a nível financeiro - como se veio, aliás, depois a comprovar - e isso ia ser muito grave também do ponto de vista reputacional”.
  • “Tinha de separar, de isolar, a Espírito Santo Saúde de todo o resto do Grupo Espírito Santo e, no fundo, sujeitar-me ao escrutínio do mercado de capitais. A decisão em si era relativamente simples. O que não era simples era fazê-lo sem acionista, com isto a acontecer, numa altura em que o mercado de capitais estava muito complicado também”.
  • “Era a nossa reputação. Se nós não conseguíssemos era um falhanço para um trabalho de uma vida. Estávamos cheios de medo. Foi uma decisão muito difícil porque foi ‘vamos cerrar os dentes e vamos a isto’”.

Os quatro fundadores desta empresa, que então empregava 10.000 pessoas e hoje 15.000, conseguiram prepará-la, em apenas quatro meses, e entrar em bolsa “in extremis” em fevereiro de 2014. “Foi um trabalho de equipa a todos os níveis. Nós somos quatro e três de nós tivemos de ir “around the world” vender a nossa ideia e dizer que tínhamos futuro e que não tínhamos nada a ver com o que se estava aqui a passar. Deixámos um dos nossos colegas a tomar conta do palácio. Foi um cerramento de fileiras, um espírito de caserna que eu nunca mais hei de esquecer. Estou muito agradecida a todos os meus colegas”.

Sobre o colapso do Grupo Espírito Santo e as notícias que saíam nos jornais naquela época e ainda saem hoje, Isabel Vaz acrescenta:

  • “Na altura foi muito duro e ainda hoje é. São coisas que doem porque era um grande grupo, dávamo-nos todos muito bem e tínhamos feito, a nível do grupo, coisas espetaculares. Isso perdeu-se e, pronto, é um desgosto enorme de tudo. Ainda custa”.
  • “Por um lado pessoal, custou-me muito ver o que aconteceu, custou imenso, uma tristeza imensa. Ainda hoje não estou recuperada disso, ainda hoje não consigo perceber como é que isto aconteceu. Mas tenho uma característica que é uma frieza muito grande. Tinha de defender uma empresa que, já na altura, tinha 10.000 pessoas a trabalhar”.

Isabel Vaz é a primeira de dez gestores de empresas que aceitaram o repto do jornal Expresso e da consultora EY para fazerem “RESET” e refletirem sobre o desafio que é gerir uma empresa ou ter de começar de novo. Acompanhe no site do Expresso as suas histórias, dicas e conselhos.