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Licenciados ganham 64% acima de não-licenciados

A formação superior continua a ser garantia de salários mais elevados, mas não tanto quanto foi no passado

Catia Mateus

Catia Mateus

Jornalista

Tirar uma licenciatura, um mestrado ou um doutoramento ainda compensa no atual contexto profissional? Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) demonstram que, financeiramente, sim, mas não tanto quanto no passado. Em Portugal, a remuneração média mensal de base era, em 2017 (últimos dados disponibilizados), €943 em valores brutos. Um licenciado ganhava em média de €1547,17 brutos mensais, 64% acima da média nacional. Ter mestrado confere um salário 62% acima da média nacional e um doutorado tem uma remuneração 145% superior. Mas as vantagens salariais associadas à qualificação superior tem vindo a diminuir ao longo dos anos.

Em 2007 a remuneração média mensal de um licenciado era mais do dobro do valor médio nacional auferido pela generalidade dos trabalhadores. Nesse ano, o rendimento médio mensal nacional era, em valores brutos, €806,07. Um licenciado ganhava em média €1656,07. Mestres e doutorados ganhavam, respetivamente, €1738,09 e €2083,54, mais 115,6% e 158,5%. Desde 2008, o ano pré-crise, que a valorização salarial associada à formação superior está em queda.

Crise forçou descidas

Mário Rocha, diretor da consultora de recrutamento Hays, admite que a perda de competitividade salarial da formação superior contabilizada pelo INE ao longo dos últimos anos possa estar relacionada com os elevados índices de desemprego registados no país. “Na prática, muitos profissionais altamente qualificados que se viram em situação de desemprego e com dificuldades em regressar ao mercado de trabalho foram forçados a aceitar funções abaixo das suas qualificações e com salários também menores”, explica.

Um aspeto curioso nesta análise é o facto de os mestrados estarem a perder valor, em termos salariais, face às licenciaturas. Em 2010 ter um mestrado significava um incremento salarial na ordem dos 6% face à licenciatura, mas há cinco anos o cenário inverteu-se. Desde 2014 que os mestres estão a ganhar, em termos médios, menos (entre 1% a 2%) do que os licenciados.

Esta perda de valor poderá estar justificada, em parte, com a alteração dos currículos do ensino superior e a criação da figura de mestrados integrados, decorrente do Processo de Bolonha. Mas pode ter outra justificação. É que os dados do INE refletem a totalidade da população empregada. E os mestrados só começaram a generalizar-se entre a população mais jovem e nos últimos anos. Nas gerações anteriores, há mais tempo no mercado de trabalho, a formação dominante é a licenciatura.